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Um psicólogo afirma: a melhor fase da vida é quando se começa a pensar assim.

Mulher a sorrir, a escrever num caderno numa cafetaria, com um café e smartphone na mesa ao lado.

A psicóloga espera alguns segundos antes de falar, deixando a sala ficar em silêncio. Nas cadeiras à sua frente: um homem na casa dos quarenta que parece exausto, uma jovem mulher a deslizar no telemóvel para esconder a ansiedade, uma professora reformada que diz que “já não reconhece a sua vida”. Idades diferentes, a mesma pergunta nos olhos: “Diga-me que isto não é o melhor que alguma vez vai ser.”
Ela sorri com suavidade e escreve uma frase no quadro branco: “A tua melhor fase começa quando deixas de perguntar o que é que a vida quer de ti e começas a perguntar o que é que tu queres da vida.”
Ao início, ninguém a aponta.
Estão demasiado ocupados a perceber que isto pode ser a primeira coisa honesta que ouviram em toda a semana.

O ponto de viragem secreto: de “O que é que eles pensam de mim?” para “O que é que eu penso disto?”

Há um momento - muitas vezes calmo e sem grande espetáculo - em que a vida de uma pessoa muda de inclinação. Por fora, não acontece nada de especial. Não há jackpot, nem promoção épica, nem um raio do destino. Por dentro, porém, aparece uma frase: “Eu tenho permissão para viver à minha maneira.”
A psicóloga chama a isto o ponto de viragem mental que separa o modo de sobrevivência da melhor fase da vida. Não tem a ver com a idade. Há quem lá chegue aos 25, há quem lá chegue aos 65, e há quem nunca chegue.
O sinal é claro: começas a importar-te menos com a forma como és visto e mais com a forma como te sentes quando pousas a cabeça na almofada à noite.

Vejamos a Léa, 38 anos, que passou os seus vinte e trinta anos a “colecionar estrelas douradas”, como ela diz. Boas notas, trabalho prestigiado, casal perfeito no Instagram. Em cada jantar de família, os pais listavam com orgulho as suas conquistas, como se estivessem a ler um perfil do LinkedIn.
Um dia, presa no trânsito numa segunda-feira de manhã, ouviu-se a pensar: “Se eu morresse agora, a minha vida ficava ótima no papel, mas por dentro sentir-se-ia vazia.” Essa frase assustou-a mais do que qualquer acidente de viação poderia assustar.
Em menos de um ano, mudou de departamento, negociou uma semana de quatro dias e voltou a pintar. O salário desceu. A sensação de estar viva subiu imenso.

Os psicólogos descrevem esta mudança como a passagem de um “locus de avaliação externo” para um interno. Durante anos, o teu cérebro está programado para correr atrás de notas, gostos, promoções, aprovação. E depois, um dia, algo estala: burnout, uma separação, um susto de saúde, ou apenas um aborrecimento tão profundo que parece luto.
Percebes que a aprovação é um alvo em movimento que nunca chegas verdadeiramente a atingir. Quando a tua bússola interna acorda, as perguntas mudam.
Deixas de perguntar “Sou suficientemente bom para eles?” e começas a perguntar “Esta vida é suficientemente boa para mim?”
É aí - nessa única mudança de pensamento - que a melhor fase começa, em silêncio.

Como pensar como se estivesses a entrar na tua melhor fase (a partir de hoje)

A psicóloga sugere uma prática diária surpreendentemente simples: pergunta-te, uma vez por dia, “O que é que eu escolheria se ninguém estivesse a ver?” Depois age sobre uma parte minúscula da resposta. Não a resposta toda - apenas um fragmento que consigas transportar.
Talvez te vestisses de forma diferente. Então calças os sapatos de que realmente gostas, não os que passam despercebidos. Talvez passasses menos tempo a fingir que estás ocupado e mais tempo a caminhar, a ler, a tocar na relva. Então bloqueias 20 minutos e fazes isso, só para ti.
Isto não é sobre rebentar com a tua vida. É sobre dar mais espaço ao teu “eu verdadeiro” do que ao teu “eu performance”.

A maioria das pessoas tenta começar a sua “melhor fase” mudando tudo de uma vez. Novo trabalho, nova cidade, novo parceiro, novo corte de cabelo. E depois vão ao charco. Hábitos antigos, o mesmo cérebro, apenas com outra “papel de parede”.
A psicóloga vê isto constantemente no consultório: pessoas exaustas que acham que falharam a mudar, quando na realidade apenas estavam a fazer obras na vida em modo de avanço rápido. A mente não respeita grandes declarações; respeita escolhas repetidas e silenciosas.
Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias sem falhar. Vais esquecer-te, vais saltar dias, vais voltar ao piloto automático. Isso não é falhanço. É apenas a tua vida antiga a perguntar, com educação, se tens a certeza.

Ela resume tudo numa frase durante a terapia de grupo:

“A tua vida começa a parecer certa no dia em que os teus pensamentos soam mais a ti e menos a uma reunião de comité dentro da tua cabeça.”

Para ajudar os seus pacientes, sugere escrever uma pequena “lista de verificação mental” e mantê-la visível:

  • Esta escolha aproxima-me de quem eu quero ser ou afasta-me?
  • Estou a fazer isto por desejo ou por medo?
  • Vou continuar a respeitar esta decisão daqui a cinco anos?
  • Se ninguém soubesse que eu fiz isto, eu continuaria a querer?
  • Qual é o passo mais pequeno e mais gentil em direção à minha vida real que posso dar hoje?

Cada pergunta empurra-te um pouco mais para essa melhor fase, onde és tu quem segura a caneta.

Quando a tua voz interior fica mais alta do que o ruído

Esta fase da vida tem um sabor específico. Continuas a ter dúvidas, claro. Continuas a ter medo antes de decisões grandes. Mas, por baixo disso, há uma nova linha de base: uma sensação tranquila e persistente de que tens permissão para escolher.
Começas a dizer “não” a coisas que antes aceitavas automaticamente: reuniões intermináveis, amizades falsas, expectativas às quais nunca concordaste. As pessoas podem ficar surpreendidas. Algumas até se irritam.
E, no entanto, reparas numa coisa estranha: o mundo não desaba. As pessoas que ficam na tua vida parecem respeitar-te mais. As que saem criam… espaço.

No papel, nada na vida do Paul gritava “melhor fase de sempre”. Divorciado aos 52, a viver num pequeno apartamento arrendado, a começar um emprego que pagava menos do que o anterior. Os amigos sussurravam que ele tinha perdido tudo.
Quando foi ter com a psicóloga, ele disse outra coisa: “Finalmente sinto que a minha vida me assenta.” Cozinhou para si próprio pela primeira vez em anos. Entrou num coro local. Desligava o telemóvel de trabalho às 19h e mantinha-o desligado.
Por fora, a vida parecia um downgrade. Por dentro, foi a primeira vez que se sentiu em casa nos seus próprios dias.

Esta fase não é perfeita. Continuas a errar. Continuas a chorar, a fazer demasiado scroll, a dizer que sim quando querias dizer que não. Isso é humano. A diferença é que já não estás a viver segundo o guião de outra pessoa.
Sentes quando algo está desalinhado e ajustas mais depressa. Não esperas dez anos para admitir que odeias o teu trabalho, o teu ritmo, os teus domingos à noite. Corriges a rota mais cedo, com menos drama.
A psicóloga insiste numa coisa: a melhor fase da vida não é quando tudo é fácil; é quando o teu esforço finalmente vai na direção que verdadeiramente te importa. Esse é o luxo silencioso que ninguém te pode dar - e ninguém te pode tirar.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Avaliação interna Passar de viver para a aprovação externa para confiar nos teus próprios critérios Ajuda-te a decidir o que realmente merece o teu tempo e energia
Pequenas escolhas diárias Praticar ações pequenas e honestas que refletem o que farias “se ninguém estivesse a ver” Torna a mudança sustentável e menos assustadora, mas ainda assim real
Aceitar a imperfeição Ver os recuos como parte do processo, não como prova de que estás a falhar Reduz a culpa e mantém-te em movimento para uma vida mais autêntica

FAQ:

  • Pergunta 1
    Em que idade é que esta “melhor fase” costuma começar?
    Não existe uma idade fixa. Algumas pessoas mudam no final dos vinte, outras a meio da vida, outras depois da reforma. O sinal principal não é a idade, mas o momento em que começas a perguntar o que queres da vida, em vez de apenas o que a vida quer de ti.

  • Pergunta 2
    Entrar nesta fase significa que tenho de mudar de trabalho ou de relações?
    Não necessariamente. Às vezes a mudança é interna: novos limites, novas prioridades, uma nova forma de dizer “sim” e “não”. Mudanças externas grandes podem surgir depois, mas não são o ponto de partida.

  • Pergunta 3
    E se as pessoas à minha volta não gostarem desta nova versão de mim?
    É comum. Quando deixas de agradar a toda a gente, algumas relações ficam tensas. Com o tempo, as que sobrevivem costumam tornar-se mais honestas e abre-se espaço para ligações que combinam com quem és agora.

  • Pergunta 4
    Como é que sei que não estou apenas a ser egoísta?
    A regra prática da psicóloga: se as tuas escolhas respeitam as tuas necessidades e também o respeito básico pelos outros, isso não é egoísmo - é auto-respeito. O objetivo não é ignorar os outros, é deixar de te apagares.

  • Pergunta 5
    Qual é um pequeno passo que posso dar esta semana?
    Escolhe uma área da tua vida - trabalho, relações, tempo livre - e pergunta: “O que é que eu escolheria se ninguém me julgasse?” Depois age sobre 5% dessa resposta. Não tudo. Só uma pequena parte honesta que possas repetir.

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