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Segundo a psicologia, este reflexo que muitos consideram normal é na verdade um mecanismo de defesa.

Homem sentado à mesa, segurando uma caneca, com bloco de notas e caneta à frente, planta ao fundo.

Um amigo conta uma piada ao jantar, daquelas que ficam a meio. Não a achas propriamente graça, mas as bochechas esticam-se num sorriso antes mesmo de decidires o que pensas. Assentes com a cabeça, ris-te um bocado alto demais, dizes “hahaha pára” enquanto o teu cérebro ainda está a acompanhar.

Mais tarde, a caminho de casa, perguntas-te: porque é que reagi assim? Quem é que eu estava a tentar proteger - ele/ela ou eu?

Os psicólogos têm um nome para este tipo de reação quase automática.

E não, não é apenas “ser educado”.

O reflexo que tu achas que é educação… mas o teu cérebro chama-lhe proteção

Observa as pessoas numa reunião e vais vê-lo por todo o lado. Risos forçados, acenos rápidos, aqueles “não faz mal!” que saem antes de a outra pessoa sequer ter pedido desculpa. O corpo reage mais depressa do que a mente.

Isto é aquilo a que a psicologia chama um mecanismo de defesa: uma forma de a tua mente te proteger do desconforto, da rejeição ou do conflito. À superfície, parece inofensivo, até socialmente habilidoso. Por baixo, é o teu sistema de alarme interno a puxar o travão.

Dizes a ti próprio que estás apenas a ser simpático. O teu sistema nervoso discorda em silêncio.

Imagina esta cena. O teu chefe critica um projeto em que trabalhaste até tarde durante várias noites. Há uma picada pequena no peito, um calor na cara. Antes de essa sensação chegar às palavras, a tua boca diz: “Não, não, está tudo bem, obrigado pelo feedback, faz todo o sentido!” e dás um sorriso rápido.

Depois da reunião, sentes-te estranhamente vazio. Um pouco irritado. Talvez repasses a conversa na tua cabeça, sentado no sofá nessa noite. Pensas: “Porque é que não disse o que realmente pensava?”

Aquele “está tudo bem” instantâneo não foi neutro. Foi a tua psique a escolher segurança em vez de verdade.

Os psicólogos descrevem isto como apaziguamento: um reflexo em que alisas as coisas para evitar uma ameaça percebida. Faz parte da mesma família do lutar, fugir ou congelar - só que mais socialmente aceitável.

O teu cérebro analisa a situação e decide, numa fração de segundo, que a prioridade é manter a ligação, o estatuto ou a paz. Então, coloca-te em modo sorrir-e-concordar.
E muitas vezes a tua opinião consciente chega demasiado tarde à conversa.

É por isto que tantas pessoas confundem bondade genuína com autoproteção reflexa.

Do “está tudo bem” automático a reações honestas: como reeducar o reflexo aos poucos

Uma prática simples muda muita coisa: acrescenta uma pequena pausa antes de responder. Não um silêncio dramático - apenas dois ou três segundos para respirar uma vez.

Alguém comenta o teu trabalho? Respira e depois responde. O teu parceiro brinca com algo que afinal magoa? Respira e depois escolhe. É nesse intervalo que notas: “Quero mesmo sorrir e deixar isto passar, ou existe outra opção?”

Não estás a tentar tornar-te brusco ou frio. Estás apenas a deixar os teus sentimentos carregarem antes de o piloto automático social clicar em “enviar”.

Uma armadilha comum é tentar passar de “eu digo sempre que está tudo bem” para “a partir de agora vou dizer a minha verdade em todas as situações” de um dia para o outro. Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias.

Começa em contextos de baixo risco. Com um amigo próximo, substitui “não faz mal, tranquilo” por “por acaso, isso deixou-me um pouco stressado”. No trabalho, em vez de um “sim, concordo totalmente” automático, experimenta “posso pensar nisso e já te digo?”.

Não estás a falhar quando o reflexo antigo aparece. És um ser humano cujo cérebro aprendeu uma estratégia que, em tempos, fez sentido.

“Os mecanismos de defesa não são falhas”, explicam muitos terapeutas. “São estratégias antigas de sobrevivência que simplesmente sobrevivem às situações que as criaram.”

  • Dá um nome ao reflexo
    Chama-lhe o que ele é: apaziguamento, people-pleasing, adaptação excessiva. Dar nome reduz a vergonha e dá-te uma forma de lhe pegar.

  • Localiza-o no teu corpo
    É um nó no estômago, a mandíbula tensa, uma enxurrada de palavras? O corpo muitas vezes deteta o reflexo antes da mente.

  • Pratica 1% mais honestidade
    Não precisas de transparência radical. Só mais uma frase honesta, uma vez por dia, já é uma revolução silenciosa.

Viver com as tuas defesas em vez de seres conduzido por elas

Este reflexo não vai desaparecer. E talvez não deva. Às vezes, sorrir e deixar passar protege genuinamente a tua energia ou evita uma discussão inútil. A mudança não é nunca o fazer. É escolher quando o fazes.

No dia em que te apanhas a dizer “estou bem” e, no mesmo fôlego, notas “na verdade, não estou completamente bem, mas estou a escolher paz agora”, alguma coisa muda cá dentro. Passas de passageiro a condutor. É uma forma subtil, mas profunda, de liberdade.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Identificar a reação em piloto automático Reparar em sorrisos forçados, “está tudo bem” rápidos, concordância imediata Dá-te consciência em vez de te sentires confuso depois
Usar micro-pausas Dois ou três segundos de respiração antes de responder Cria espaço para escolheres uma resposta que realmente te encaixa
Permitir pequena honestidade Mais uma frase verdadeira em situações de baixo risco Constrói confiança para te expressares sem “rebentar” com tudo

FAQ:

  • Este reflexo é sempre uma coisa má?
    Não. Às vezes mantém as situações sociais fluídas ou protege-te em contextos inseguros. O problema começa quando se torna a tua única forma de reagir e perdes contacto com o que realmente sentes.

  • Como sei se faço isto em excesso?
    Se frequentemente repasses conversas na tua cabeça, te sentes incompreendido ou ficas exausto depois de eventos sociais, é um sinal forte de que este mecanismo de defesa está a trabalhar horas extra.

  • Consigo deixar de agradar aos outros sem me tornar egoísta?
    Sim. A ideia não é balançar para o extremo oposto. É acrescentar as tuas necessidades à equação em vez de as apagares. Podes ser gentil e, ainda assim, ter limites.

  • Devo falar sobre isto com amigos ou com o meu parceiro?
    Se te parecer seguro, sim. Podes dizer algo como: “Às vezes reajo depressa demais só para manter a paz. Se mais tarde voltar para esclarecer, não é que esteja a mudar de ideias ao acaso - estou só a pôr-me em dia comigo.”

  • Quando é que a terapia é uma boa ideia para isto?
    Se notas que literalmente não consegues dizer que não, sentes pânico quando alguém fica descontente contigo, ou acabas constantemente em relações desequilibradas, trabalhar com um profissional pode ajudar muito a perceber onde este reflexo começou e como o suavizar.

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