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Se cresceste nas décadas de 1960 ou 1970, provavelmente aprendeste lições de vida que hoje já não fazem parte do ensino moderno.

Idoso ensina criança a afiar lápis. Sapatos, rádio e caderno sobre mesa em cozinha iluminada por janela.

O ginásio tinha um leve cheiro a cera do chão e suor, e cada carteira tinha uma pequena ranhura escavada pelo lápis de alguém do ano anterior. A professora entrou com um apito, não com um portátil. Não começou a aula com um PowerPoint nem com um questionário online. Começou com um olhar que dizia tudo sobre respeito, consequências e expectativas.

Se cresceste nas décadas de 1960 ou 1970, provavelmente lembraste de aprender na escola coisas que nunca apareciam no quadro. Como apertar uma mão. Como aguentar o tédio sem explodir. Como arranjar alguma coisa antes de a deitar fora.

Ninguém lhe chamava “competências para a vida”.

Era apenas… vida.

E, algures entre os telefones de disco e os smartphones, muito disso foi desaparecendo em silêncio da sala de aula.

As lições perdidas da dureza silenciosa

Fala com alguém que tenha terminado a escola em 1972 e vais ouvir um tipo diferente de história escolar. Não sobre aplicações ou testes padronizados, mas sobre ser mandado para fora para correr voltas ao recinto quando respondias torto. Sobre professores que não perguntavam se te sentias motivado; simplesmente esperavam que tentasses.

Havia uma mensagem comum por baixo de todos aqueles pequenos rituais. Caíste, levantas-te. Não percebes, ficas depois da aula. Não gostas da regra, cumpres-na na mesma. Não eram frases inspiradoras num cartaz. Eram incutidas pela repetição e pela rotina.

Uma mulher que entrevistei, já nos seus finais de 60 anos, lembrava-se de ter chumbado a um teste de matemática no 8.º ano. O professor não ofereceu trabalho extra, e não houve um fio de e-mails entre pais a discutir justiça. Devolveu-lhe a prova e disse: “Tu és mais inteligente do que isto. Aparece às 7h30 amanhã.”

E ela apareceu. Todos os dias durante duas semanas. Sem lanches, sem elogios - só pó de giz e divisões longas até que, finalmente, os números fizeram sentido. Ainda hoje conta essa história aos netos quando eles dizem: “Eu simplesmente não tenho jeito para a matemática.”

O ponto dela não é que o professor fosse simpático. O ponto é que o professor acreditava que a dificuldade fazia parte da aprendizagem, não era um sinal para desistir.

Hoje fala-se muito de resiliência, mas muitas vezes vem embrulhada em fichas e palavras da moda. Nos anos 60 e 70, a resiliência era mais física, mais direta. Caminhadas longas para a escola. Castigos que envolviam trabalho a sério. Desporto em que não recebias um troféu a menos que ganhasses alguma coisa.

Essa abordagem não era perfeita e, por vezes, ultrapassava limites. Ainda assim, ensinou a uma geração que o desconforto não é uma emergência. Que esperar, tentar outra vez, estar aborrecido ou envergonhado não te vai destruir. Quando cada pequeno incómodo é tratado como uma crise, a velha lição do “segue em frente” começa a parecer estranhamente radical.

Respeito, responsabilidade e aqueles pequenos rituais do dia a dia

Uma das diferenças mais marcantes de que as pessoas falam é a forma como o respeito era ensinado como hábito, não como tema de debate. Levantavas-te quando um adulto entrava na sala. Não tratavas um professor pelo primeiro nome. Escrevias “Exmo. Sr. Smith” no topo das cartas, mesmo que fosse apenas para falar de um manual perdido.

Essas formalidades podem soar antiquadas hoje. Ainda assim, treinavam as crianças a saírem de si próprias por um segundo e a reconhecerem o outro. A mensagem era simples: tu não és o centro de todos os momentos, e tens um papel a desempenhar na forma como esta sala se sente.

Hoje, muitos adultos admitem em silêncio que algo não bate certo. As crianças são inteligentes, divertidas, fluentes no digital, mas muitas têm dificuldade com contacto visual, cortesia básica ou em manter-se numa tarefa que não dá recompensa imediata. Há mais ansiedade, mais “eu não consigo” e menos “eu resolvo”.

Isso não é culpa delas. Quando retiramos todos os pontos de fricção da infância, também retiramos os micro-momentos em que a responsabilidade era aprendida. Pagar do próprio bolso um livro perdido da biblioteca. Telefonar a um vizinho para pedir desculpa, em vez de mandar mensagem. Assumir a própria parte num conflito sem três adultos a intervir para o gerir por ti.

Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias, sem falhar.

As pessoas que cresceram nos anos 60 e 70 descrevem muitas vezes a responsabilidade como algo que não era negociável. Havia tarefas antes de brincar. Esperava-se que ajudasses os irmãos mais novos. Se pedisses algo emprestado e o partisses, trabalhavas para o substituir.

Um professor reformado disse-me:

“Nós não perguntávamos às crianças: ‘O que é que sentes em relação a assumir responsabilidades?’ Nós dávamos-lhes responsabilidade e deixávamos o sentimento vir depois.”

Alguns desses rituais antigos são surpreendentemente fáceis de recuperar, discretamente, em casa:

  • Fazer com que as crianças cumprimentem os visitantes com um “olá” claro e digam o seu nome
  • Fazer com que telefonem, e não enviem mensagens, quando precisam de cancelar planos
  • Dar-lhes uma tarefa doméstica recorrente que seja verdadeiramente delas
  • Deixar que as consequências naturais se imponham, em vez de as salvar todas as vezes

Isto não são grandes gestos. São pequenos sinais repetidos que dizem: és capaz, fazes falta, e as tuas ações têm peso.

O que acontece quando reaprendemos o que esquecemos

Se ouvires com atenção, consegues perceber uma espécie de saudade em quem cresceu nos anos 60 e 70. Não apenas pela música ou pelos carros, mas pela clareza. Sabias onde estavam as linhas. Sabias o que os adultos esperavam de ti. Sabias que a vida era muitas vezes injusta e que, de alguma forma, ias aguentar.

Nenhum deles quer voltar às partes mais duras dessa época. Não pedem mais medo nem menos empatia. Perguntam-se se, na pressa de modernizar tudo, não deitámos fora algumas lições discretamente brilhantes.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Resiliência quotidiana A dificuldade e o tédio eram vistos como partes normais da aprendizagem Ajuda a reinterpretar desafios como treino, não como falha pessoal
Respeito como hábito Rituais como cumprimentos, tratamentos e notas escritas à mão Oferece formas simples de reconstruir a confiança social nas crianças
Responsabilidade real Tarefas, consequências e assumir erros Dá ideias práticas para criar crianças mais autónomas

Perguntas frequentes (FAQ)

  • As escolas nos anos 60 e 70 eram mesmo melhores? Eram diferentes, não simplesmente melhores. Os conteúdos académicos eram muitas vezes mais limitados, mas as lições de vida sobre dureza, boas maneiras e responsabilidade estavam mais enraizadas nas rotinas diárias.
  • Podemos recuperar a disciplina “à antiga” sem a dureza? Sim. O essencial é haver expectativas consistentes e consequências reais, aplicadas com calma e respeito, não com medo ou humilhação.
  • Qual é uma lição “perdida” que posso ensinar aos meus filhos hoje? Começa pelo compromisso: se se comprometem com algo, acabam a época, o projeto ou a promessa, mesmo quando a novidade desaparece.
  • Todas as crianças dessa época aprenderam mesmo essas lições? Não. As experiências variavam muito conforme a família, a escola e a cultura. Ainda assim, os padrões eram comuns, e muitas pessoas desse tempo reconhecem-nos de imediato.
  • A educação moderna está a falhar completamente estas competências? Não completamente, mas muitas vezes estão dispersas por programas em vez de serem tecidas no dia a dia. Por isso tantos adultos mais velhos sentem um vazio que é difícil de nomear, mas fácil de sentir.

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