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Reações divididas após universidade dar prioridade a candidatos com mais seguidores nas redes sociais.

Pessoa a assinar documento numa mesa com microfones, fotos e luz de anel; outra a tirar foto com smartphone.

A sala de admissões cheira a tinta de impressora e café frio. Os telemóveis brilham em todas as mãos. Um grupo de adolescentes com hoodies oversized junta-se à volta de um portátil, a atualizar um portal de candidaturas que, de repente, parece importar mais para a contagem de seguidores do que para as notas. No ecrã grande, passa o anúncio da universidade: “Via de admissão prioritária para candidatos com influência digital significativa.” Ninguém diz “influencers”. Nem é preciso.

Uma rapariga com 14.000 seguidores no TikTok parece estranhamente calma. Um rapaz com médias de 20 e o Instagram trancado parece que alguém lhe deu um pontapé no cão. Os pais sussurram, meio chocados, meio curiosos. Isto é o futuro do ensino superior, ou apenas uma manobra de publicidade que foi longe demais?

Algures entre o ring light e a biblioteca, as regras acabaram de mudar.

Quando as contagens de seguidores entram pelo portão do campus

A primeira vaga de indignação chegou antes do almoço. Os chats de antigos alunos iluminaram-se com capturas do anúncio, circuladas a vermelho como se fosse um escândalo de última hora. “Então o meu filho estudou para nada?” escreveu um pai. Outro limitou-se a mandar um emoji a vomitar. No campus, os estudantes discutiam no relvado: uns defendiam a medida como “realista”, outros chamavam-lhe “admissões por clickbait desesperado”.

A universidade - uma instituição privada de média dimensão a tentar destacar-se num mercado saturado - apresentou isto como inovação. “Reconhecer o impacto digital como uma nova forma de mérito”, dizia o comunicado. Para muita gente, ao ler aquela frase, foi como se o chão se tivesse movido em silêncio.

A história explodiu a sério quando uma criadora de beleza de 19 anos fez um vlog da sua “visita prioritária” ao campus. Passou à frente da fila das admissões, escoltada por um responsável de comunicação, a filmar laboratórios brilhantes e espaços de estudo feitos para selfies. O vídeo chegou a 2,3 milhões de visualizações em dois dias.

Nos comentários, milhares de adolescentes marcaram amigos: “Vamos candidatar-nos AQUI.” As candidaturas para a nova via dispararam 47% numa semana, segundo um e-mail interno que, misteriosamente, foi parar ao Twitter. Ao mesmo tempo, noutro canto da internet, um tópico anónimo no Reddit reuniu testemunhos de candidatos atónitos que passaram anos a acumular disciplinas de honra - não seguidores.

No papel, a lógica quase se escreve sozinha. As universidades são marcas agora, e as marcas adoram alcance. Um estudante com 200.000 seguidores não é apenas mais um nome num ficheiro académico: é um cartaz ambulante que publica. Pode encher eventos, lançar hashtags, atrair atenção que o departamento de marketing nunca conseguiria pagar.

O problema começa quando “influência digital” deixa de ser um bónus e passa a ser um porteiro. A contagem de seguidores é ruidosa, fácil de falsificar e profundamente desigual. Alguns adolescentes crescem plataformas grandes porque as famílias podem pagar câmaras, tempo livre e quartos seguros. Outros partilham um telemóvel com irmãos e desligam-se para trabalhar em turnos à noite. Transformar isso num bilhete para o campus não só parece estranho. Parece um novo tipo de exame de entrada ao qual ninguém concordou em ir.

Como isto muda a forma como os alunos “se preparam” para a faculdade

Os orientadores escolares já estão a sentir a mudança. Uma orientadora em Chicago diz que os alunos agora perguntam menos sobre ensaios e mais sobre “quantos seguidores contam como competitivo”. Ela tenta trazê-los de volta ao básico: exigência curricular, recomendações, interesses genuínos. Ainda assim, a nova via de admissão paira sobre cada conversa como um letreiro de néon.

Alguns adolescentes estão a mudar o comportamento em silêncio. Contas antes privadas passam a públicas. Desenhos de passatempo, desabafos, piadas desleixadas são arquivados. A corrida começa: publicar mais, polir mais, performar mais. Preparar-se para a faculdade sempre foi um jogo de estratégia - mas agora joga-se, em parte, na secção de comentários.

Há o risco de reagir em excesso, e os pais sentem-no. Quase se ouve a nova pressão a formar-se: “Não estudes só - constrói a tua marca.” É aí que tudo descarrila depressa. Muitos alunos são introvertidos, ou simplesmente não têm interesse em viver online. Outros já lutam com ansiedade ligada à publicação constante e às métricas.

Sejamos honestos: ninguém gere a sua vida digital como um agente de relações públicas a tempo inteiro, todos os dias. O perigo é transformar a adolescência numa audição permanente em que cada fotografia, cada legenda, pode virar “material de candidatura”. Nem toda a gente quer transformar a personalidade num ativo de marketing - mesmo para ter mais hipóteses de conseguir um quarto na residência.

Algumas universidades que estão a experimentar este caminho dizem que estão a construir barreiras de proteção. Insistem que a contagem de seguidores nunca é o único critério e que avaliam a “qualidade do envolvimento” e o “impacto positivo”. Um responsável de admissões disse-me que olham para coisas como campanhas de ativismo, threads educativas ou Discords de construção de comunidade.

Ainda assim, mesmo com as melhores intenções, a mensagem que chega às salas de estar é muito mais simples: seguidores abrem portas. Essa ideia, por si só, pode remodelar a forma como os alunos se veem. Uma coisa é premiar liderança num clube escolar, onde, em teoria, qualquer pessoa pode entrar e tentar. Outra é dar peso extra a números alimentados por uma roleta algorítmica. Quando uma plataforma de “caixa negra” passa a fazer parte da comissão de admissões, entra algo frágil na sala: sorte disfarçada de mérito.

O que pais, alunos e universidades podem fazer a seguir - de forma prática

Um passo prático para famílias a enfrentar esta nova realidade é traçar uma linha clara entre usar redes sociais e viver para elas. Faça uma pergunta simples: “Se a faculdade não estivesse em cima da mesa, ainda querias publicar isto?” Se a resposta honesta for não, é um sinal de alerta.

Os alunos que já têm presença online podem selecionar destaques que reflitam quem são para lá das tendências: projetos de longo prazo, voluntariado, trabalho criativo, colaborações. Pense menos em construir uma persona e mais em deixar um rasto de esforços reais. Um blogue discreto sobre explicações a crianças do bairro pode dizer mais do que uma dança viral.

Há também espaço para contrariar, com calma mas firmeza, uma nova vaga de comparação. Nem toda a gente precisa de perseguir um visto azul para se sentir merecedora de ensino superior. Quando universidades dão prioridade a influenciadores, é fácil para os jovens “não digitais” sentirem que são figurantes. Essa picada é real e não deve ser varrida com “é assim que o mundo é agora”.

Pais e professores podem validar ambos os caminhos: o visível, com números, e o mais silencioso, com profundidade. Lembrem aos alunos que os gabinetes de admissões continuam a depender de notas, ensaios, contexto e cartas. As vias movidas por seguidores fazem barulho, sim, mas continuam a ser uma fatia de uma tarte muito maior - e mais confusa.

As universidades, da sua parte, estão a ser observadas. Uma professora com quem falei não adoçou a crítica:

“Estamos a flirtar com a ideia de que atenção é igual a valor”, disse ela. “Se não tivermos cuidado, vamos formar grandes marketeers que não sabem pensar - e pensadores brilhantes que nunca entraram.”

Para evitar que isto descambe, alguns docentes pedem barreiras mais claras, como:

  • Publicar critérios transparentes para qualquer via “baseada em influência”
  • Limitar o peso da presença nas redes sociais na decisão global
  • Exigir um ângulo comprovado de interesse público, não apenas popularidade
  • Auditar a equidade, para que estudantes de primeira geração e de baixos rendimentos não sejam empurrados ainda mais para fora

No papel, são medidas pequenas - mas cada uma sinaliza que o alcance está a ser tratado como um sinal, não como um destino.

Um campus preso entre um ring light e uma sala de seminário

Volte a atravessar esse campus na sua cabeça. Imagine dois caloiros a partilhar uma mesa: um entrou pela nova via de influenciadores, o outro pela via tradicional. Ambos estão nervosos com o primeiro exame. Ambos se perguntam se pertencem ali. Uma é reconhecida no balcão do café pelos seus “hacks” de estudo virais; o outro não é reconhecido em lado nenhum - exceto, talvez, pelo assistente de ensino que reparou no detalhe do seu primeiro ensaio.

Este é o momento estranho e liminar em que estamos. As universidades estão desesperadas por atenção num mundo ruidoso. Os estudantes estão desesperados por um futuro que pareça aberto - não fechado por métricas que não controlam. Entre os dois, há um contador de seguidores, a piscar em silêncio, a tentar transformar “likes” em cartas de admissão.

A grande questão não é se as redes sociais vão tocar nas admissões. Já tocaram. A verdadeira questão é até onde estamos dispostos a deixar isto ir antes de pararmos e perguntarmos: que tipo de mérito queremos, afinal, recompensar?

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Estão a surgir admissões prioritárias baseadas em seguidores Algumas universidades oferecem agora vias especiais para candidatos com grandes audiências “impactantes” nas redes sociais Ajuda a perceber porque é que este tema volta a aparecer e quão real é a tendência
O impacto nos alunos vai além da vaidade Adolescentes estão a mudar comportamentos online, a curar publicações e a sentir nova pressão para “performar” para a faculdade Dá contexto se você ou o seu filho se sentirem subitamente stressados por não serem “visíveis o suficiente”
Há formas de responder sem pânico Focar-se em projetos autênticos, limites claros e exigir transparência às escolas Oferece alavancas concretas para manter o controlo, em vez de apenas reagir ao algoritmo

FAQ:

  • A contagem de seguidores ajuda mesmo a entrar na faculdade agora? Em algumas instituições que estão a testar estas políticas, uma presença online grande e positiva pode dar acesso a avaliações prioritárias ou vias especiais, mas normalmente não substitui os requisitos académicos básicos.
  • De quantos seguidores estamos a falar? A maioria dos programas não publica um limiar fixo, mas os primeiros casos sugerem que procuram dezenas de milhares de seguidores com envolvimento sustentado, não apenas algumas publicações virais.
  • E se eu não usar redes sociais de todo? As vias tradicionais continuam a dominar. Um percurso académico forte, ensaios e recomendações continuam a ser o núcleo da maioria das decisões, mesmo onde existem vias para influenciadores.
  • As escolas conseguem ver as minhas contas privadas? As vias prioritárias baseadas em influência dependem de perfis públicos que os candidatos escolhem partilhar. Nos processos regulares, os gabinetes podem pesquisar no Google, mas não têm acesso a conteúdo privado.
  • Devo começar a publicar só para parecer “interessante” para as faculdades? Só se for sustentável e genuíno. Publicar sob pressão tende a esgotar as pessoas. Construir projetos reais, online ou offline, costuma contar uma história mais forte do que perseguir números.

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