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"Envelhecem-te de imediato": 5 estilos de cabelo à "avó" a evitar depois dos 50, segundo um cabeleireiro.

Mulher a sorrir enquanto cabeleireiro ajusta o cabelo num salão com espelho e plantas.

O salão já estava meio cheio às 9 da manhã quando a Claire entrou, a apertar a mesma fotografia que trazia há dez anos. Um bob certinho e arredondado, perfeitamente escovado, exatamente o corte que a mãe usava nos anos 90. A cabeleireira dela, Léa, olhou uma vez, sorriu com delicadeza e disse a frase que mudou tudo: “Sabes que este corte te está a envelhecer, não sabes?”
A Claire riu-se no início. Sempre achou que “clássico = chique”. Ainda assim, sob as luzes de néon, com o bob rígido e o capacete de madeixas bege, viu de repente: não parecia clássica. Parecia mais velha do que se sentia.

A Léa prometeu mostrar-lhe as cinco tendências de cabelo “estilo avó” que, em segredo, somam dez anos.
As mesmas que agora proíbe para mulheres com mais de 50.

1. O bob “capacete” perfeitamente arredondado

O primeiro culpado, segundo a maioria dos cabeleireiros, é o bob arredondado e rígido que não se mexe. Sabes qual é: pontas viradas para dentro como uma taça, sem camadas, sem ar, sem vida. Aos 20 pode parecer francês e afiado. Depois dos 50, cola-se à linha do maxilar e endurece cada ângulo.

O problema não é o bob em si. É o efeito “capacete”. Um cabelo que assenta como uma tampa na cabeça acentua papadas, achata os traços e puxa tudo visualmente para baixo. Quando viras a cabeça e o cabelo não se mexe, a cara parece ficar congelada também.

A Léa conta-me sobre uma cliente, a Dani, 62 anos, que usava o mesmo bob arredondado desde 1998. Mesma risca ao lado, mesmas pontas viradas para dentro, mesma escova semanal. “Sempre que vinha, mostrava-me um recorte de revista antigo”, ri-se a Léa. “Queria parecer assim para sempre.”

Um dia, a Dani confessou que as pessoas lhe perguntavam muitas vezes se estava cansada. “Sinto-me jovem”, disse à Léa, “mas o meu reflexo parece… preso.” Suavizaram o bob: camadas leves, uma forma mais solta, menos curva por baixo do queixo. A reação dos colegas? “Foste de férias? Estás com um ar tão fresco.” Não “Mudaste o cabelo?”. Esse é o poder de uma pequena mudança.

Um bob rígido cria uma linha visual dura exatamente onde a maioria das mulheres começa a notar a pele mais flácida: maxilar, pescoço, parte inferior das bochechas. Essa curva marcada sublinha cada pequena queda como um iluminador que não pediste. Já uma linha ligeiramente quebrada, com textura e movimento, desfoca essas zonas.

O olhar segue naturalmente o movimento. Se o corte é arredondado, sólido e brilhante como um capacete, o olhar pára no maxilar e no pescoço. Se o cabelo é mais leve e arejado, passa por ali e leva a atenção para os olhos e as maçãs do rosto. Esse é o segredo: não é encurtar a todo o custo, é aliviar as extremidades.

2. Cabelo “fixo” com demasiada laca, que não mexe

A segunda armadilha “estilo avó” está em muitas prateleiras de casa de banho: a lata de laca extra-forte a que és fiel há 20 anos. Um cabelo “fixo” como uma escultura dá sensação de segurança, sim. Mas também parece datado e implacável.

A Léa diz que reconhece imediatamente: raízes coladas, pontas rígidas, franja que não se mexe quando sais para a rua. “Cabelo congelado faz a cara parecer congelada”, diz ela. Linhas finas, marcas de expressão, pequenas assimetrias saltam à vista, porque não há suavidade a equilibrá-las.

Todos já passámos por isso: sair do salão com uma escova perfeita, tão envernizada que até dá medo de encostar a cabeça à almofada. Uma cliente habitual da Léa, a Marie, 55 anos, pedia “muita laca” porque odiava quando o cabelo perdia volume. Saía com um penteado impecável e levantado que parecia ótimo sob as luzes do salão… e completamente artificial à luz do dia.

Um dia, a Léa filmou-a de perfil enquanto ela virava a cabeça. O cabelo não se mexeu. Nem um fio. A Marie desatou a rir - e depois encolheu-se. Cortaram a laca para metade, mudaram para uma fórmula flexível e deixaram as pontas mais soltas. “As pessoas começaram a dizer que eu parecia mais ‘suave’”, contou a Marie. Ninguém mencionou o cabelo. Aí percebeu que estavam no caminho certo.

Há uma razão psicológica para isto. Laca pesada dá-nos sensação de controlo, como se pudéssemos prender o tempo junto com as raízes. Mas cabelo ultra-fixo pertence a outra era: a ida semanal ao salão, os rolos ao domingo, a cultura do “não me toques no cabelo”.

Cabelo macio e com movimento lê-se imediatamente como atual, mesmo que o corte seja clássico. Movimento sugere vitalidade. E há um bónus: cabelo que mexe também se ajusta com os dedos ao longo do dia, em vez de precisar de um “reset” completo. Sejamos honestas: quase ninguém faz uma escova de salão todos os dias.

3. A cor “demasiado segura”: louros bege e castanhos sem vida

Agora as armadilhas da cor, começando por uma que assusta muitas mulheres com mais de 50: o louro bege, quase amarelado, conhecido nos salões como “louro de avó”. É aquele tom para o qual se vai escorregando devagar, acrescentando madeixas sobre madeixas até o cabelo ficar num véu uniforme, baço e ligeiramente amarelo.

Em teoria, era para suavizar. Na prática, esvazia o rosto. A pele parece mais cansada, as olheiras destacam-se, e os olhos perdem brilho. O mesmo acontece no extremo oposto com castanhos chapados, densos, sem luz nem variação.

A Léa fala-me da Sonia, 58 anos, que perseguia “o mais claro possível” há anos. “Ela achava que quanto mais loira, mais jovem ficava, porque o grisalho se escondia”, explica. Mas a pele da Sonia era oliva quente, e o louro bege-amarelado deixava a tez ligeiramente esverdeada. Nas fotos, parecia mais velha do que ao vivo.

Introduziram lowlights muito finos e um bege mais frio na frente, deixando o sal e pimenta natural na nuca. A Sonia entrou em pânico ao início - “Não vai parecer desarrumado?” - e depois viu-se à luz do dia. A pele parecia subitamente mais viva, menos sombreada. As amigas perguntaram se tinha mudado de cuidados de pele. O cabelo foi a única alteração.

Uma cor monocromática achata a cabeça como uma fotografia mal iluminada. Os nossos rostos aos 50, 60, 70 têm profundidade natural: pequenas cavidades, zonas mais redondas, jogo de sombras. A cor do cabelo precisa da mesma complexidade, ou acaba por enfatizar cada irregularidade. Uma cor “demasiado segura” é muitas vezes apenas demasiado plana.

Pequenas variações - uma frente ligeiramente mais luminosa, um toque mais escuro na raiz, um reflexo mais frio nos comprimentos - podem fazer mais pelo rosto do que cortar dez centímetros. O objetivo não é “louro jovem” ou “castanho sério”. É um tom luminoso e com nuances, que pareça que podia ter nascido da tua cabeça numa dimensão mais gentil.

4. Cortes ultra-curtos e justos que expõem tudo

Um dos grandes mitos depois dos 50 é que “tens de” cortar o cabelo muito curto. Muitas mulheres chegam ao salão à espera de um pixie radical porque ouviram dizer que cabelo comprido depois de certa idade é proibido. É assim que caem na quarta armadilha envelhecedora: cortes ultra-curtos e apertados que expõem cada milímetro da cabeça e do pescoço.

Curto pode ser incrível. Curto e tenso contra o crânio, com contornos duros e sem suavidade, pode ser brutal. Quando o cabelo fica demasiado colado ao couro cabeludo, qualquer perda de volume nas têmporas ou no topo torna-se evidente. O pescoço e a linha do maxilar ficam totalmente expostos, o que pode fazer-te sentir nua em vez de poderosa.

A Léa lembra-se da Brigitte, 64 anos, que chegou com fotos de pixies afiados de celebridades. “Quero pouca manutenção”, insistiu. O cabelo dela era fino e bastante ralo no topo. Se a Léa tivesse copiado a foto, o couro cabeludo apareceria em todos os ângulos.

Negociaram um meio-termo: ainda curto na nuca para frescura, mas com peças um pouco mais compridas no topo e à volta das orelhas. Mantiveram costeletas fininhas e uma franja suave. Mais tarde, a Brigitte disse que se sentia “ela própria, não alguém a tentar ser a tia fixe”. As pessoas repararam nos olhos e nos brincos, não na linha do cabelo. Aí sabes que o corte está certo.

Um corte curto bem conseguido depois dos 50 funciona como alfaiataria inteligente. Esconde onde o tecido poderia agarrar e destaca o que gostas. Laterais muito justas com topo achatado podem comprimir o rosto, fazendo-o parecer mais curto e largo. Um pouco de altura no topo e ar à volta das orelhas levanta toda a silhueta.

Cabelo curto também envelhece quando grita “desisti”. Um curto suave e moderno inclui sempre algum movimento, assimetria ou textura: uma franja mais longa que podes jogar para o lado, uma mecha que podes colocar atrás da orelha, um caracol que podes amassar. Zero styling é igual a zero personalidade. E nenhuma mulher com mais de 50 é uma página em branco.

5. Riscas demasiado rígidas e penteados puxados para trás

O último hábito “estilo avó” é subtil e está à vista de todos: como fazes a risca e como prendes o cabelo. Uma risca ao lado, reta como lâmina e imutável durante décadas, ou uma risca ao meio que parte o rosto em dois, pode endurecer os traços sem dares conta. Junta rabos-de-cavalo ou coques muito apertados puxados para trás e o efeito fica imediatamente severo.

Cabelo colado ao couro cabeludo na frente apaga a suavidade junto à linha do cabelo, que é onde começamos naturalmente a rarear. A testa parece maior, as têmporas mais fundas, e cada pequena ruga parece mais profunda. Uma risca rígida, sobretudo quando revela cada vez mais couro cabeludo com o tempo, funciona como uma seta a apontar para a perda de volume.

Uma cliente da Léa, a Helena, 59 anos, usava a mesma risca ao lado afiada desde o liceu. Em todas as fotos dos anos 80, 90, 2000: mesma linha, mesmo lado, mesma orelha com o mesmo encaixe. Quando começou a rarefação ao longo desse caminho, a risca alargou e criou uma faixa pálida.

Não mudaram o corte. Apenas deslocaram a risca meio centímetro e suavizaram as raízes com um pouco de spray texturizante seco. Reação da Helena? “Pareço menos zangada.” O lift nas raízes desfocou as linhas da testa, e a risca ligeiramente imperfeita desviou a atenção da rarefação. Ninguém adivinhou o que tinha mudado, mas comentaram que ela parecia mais relaxada.

A Léa tem uma regra simples: se prendes o cabelo para trás, deixa alguma suavidade. Algumas madeixas a emoldurar o rosto, um elástico mais solto na nuca, uma risca que não seja perfeitamente reta como uma régua. Não é sobre parecer “desfeita”; é sobre evitar aquele efeito esticado e rígido que lê como mais velho e mais duro.

“As mulheres acham que estes estilos são ‘arrumados’ e respeitáveis”, diz a Léa. “Mas o arrumado também pode ser gentil. O rosto precisa de um bocadinho de gentileza do cabelo.”

  • Afrouxa ligeiramente rabos-de-cavalo e coques para que assentem com, e não contra, os teus traços.
  • Muda a risca de vez em quando para evitar que a linha alargue e o couro cabeludo fique mais visível.
  • Acrescenta uma franja suave ou algumas peças mais curtas à volta do rosto para leveza.
  • Usa spray de textura seco ou uma mousse leve nas raízes para uma elevação discreta.
  • Abraça um toque de imperfeição: uma mecha fora do sítio pode parecer mais jovem do que uma “concha” perfeita.

Reaprender a liberdade capilar depois dos 50

O que se percebe, ao ouvir a Léa, é que cabelo “estilo avó” não é sobre comprimento ou cor. É sobre rigidez. Formas rígidas, hábitos rígidos, ideias rígidas sobre como uma “mulher de certa idade” deve parecer. Os cortes e as cores que mais envelhecem são, muitas vezes, os que escolheste há anos e nunca mais questionaste.

Largar isso não significa correr atrás de tendências ou fingir que tens 25. Significa permitir que o teu cabelo se mova com a vida que realmente vives agora. Bordas mais leves em vez de capacetes. Movimento em vez de laca. Cor com nuances em vez de blocos. Volume suave em vez de couro cabeludo exposto. Uma risca ligeiramente torta em vez de uma autoestrada no meio da cabeça.

As mulheres que saem do salão da Léa a parecer mais novas não são as que ficaram mais curtas ou mais loiras. São as que saíram com um cabelo que finalmente combina com a energia delas. As que largaram o “eu tenho de” e começaram a perguntar, baixinho: “E se o meu cabelo pudesse voltar a sentir-se como eu?”

Ponto-chave Detalhe Valor para a leitora
Evitar bobs rígidos e arredondados Escolher linhas mais suaves e camadas leves à volta do maxilar Levanta visualmente a parte inferior do rosto e reduz a ênfase na flacidez
Abandonar penteados “congelados” com demasiada laca Usar produtos flexíveis e permitir movimento natural Deixa os traços mais suaves, frescos e atuais
Atualizar cor e risca Optar por tons com nuances e riscas ligeiramente mais suaves e deslocadas Acrescenta luminosidade, disfarça rarefação e moderniza o visual

FAQ:

  • Todas as mulheres devem cortar o cabelo curto depois dos 50? Não. O comprimento é menos relevante do que a forma e o movimento. Um corte médio com suavidade e camadas pode ser muito mais favorecedor do que um corte ultra-curto e apertado que expõe tudo.
  • Ficar loira é a melhor forma de esconder o cabelo grisalho? Nem sempre. Um louro muito claro e bege pode “apagar” a tez. Madeixas bem misturadas, lowlights ou uma transição suave para um sal e pimenta costumam parecer mais modernos e menos envelhecedores.
  • Com que frequência devo atualizar o corte nesta idade? Não é preciso uma reinvenção total em todas as estações, mas um pequeno ajuste a cada 6–12 meses evita que a forma fique rígida ou datada, sobretudo à volta do rosto.
  • Ainda posso usar laca depois dos 50? Sim, mas muda para lacas leves e flexíveis. Vaporiza à distância e passa os dedos para que o cabelo se mexa em vez de ficar numa carapaça dura.
  • Qual é a mudança mais fácil se tenho medo de um grande corte? Começa pela frente: suaviza a risca, adiciona uma franja leve ou mechas a emoldurar o rosto, ou ajusta a cor junto à linha do cabelo. Pequenas mudanças aí têm um grande impacto.

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