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Quando o teu cão te dá a pata, geralmente não é para brincar ou cumprimentar. Especialistas explicam o verdadeiro significado deste gesto.

Cão dourado toca a mão de uma pessoa numa sala iluminada com plantas e sofá ao fundo.

Você está no sofá a fazer scroll no telemóvel quando sente: uma pata quente, ligeiramente desajeitada, a pressionar a sua perna. O seu cão olha para si com aqueles olhos grandes, orelhas meio para trás, à espera. Você ri, pega na pata, talvez diga “dá a pata!” e volta ao que estava a fazer. Fim da história, certo?

Exceto que, segundo especialistas em comportamento animal, esse momento raramente é “apenas um olá fofinho”. Essa pata no seu joelho pode ser um pequeno alarme, uma carta de amor ou um sinal de verdadeiro desconforto.

O gesto parece simples. A mensagem por trás dele, muitas vezes, não é.

Quando um cão dá a pata, está a falar com o corpo todo

A primeira coisa que os especialistas repetem é esta: um cão nunca “fala” apenas com uma parte do corpo. Uma pata na sua perna não significa muito se ignorar a cauda, as orelhas, os olhos, a tensão nos ombros.

Alguns cães pousam a pata em si porque estão genuinamente a procurar contacto, como uma criança que agarra a manga. Outros fazem-no porque estão stressados, demasiado excitados ou a tentar desanuviar uma situação que não compreendem totalmente.

Por isso, antes de dizer “ah, ele está a ser fofinho”, olhe para o quadro completo. Essa pata é só a ponta do icebergue emocional.

Imagine a cena que uma comportamentalista me contou. Um casal procurou ajuda porque o Golden Retriever jovem deles era “demasiado pegajoso”. Todas as noites, enquanto viam televisão, ele vinha e pousava a pata de forma insistente no braço deles, depois no peito e, se o ignorassem, até na cara. Eles achavam que ele estava a pedir para brincar.

Só que o resto do corpo contava outra história. Bocejava repetidamente, lambia os lábios, cauda baixa, respiração acelerada. Sinais clássicos de um cão que estava… sobrecarregado.

Ele não estava aborrecido. Estava exausto com o ruído e a agitação constantes da casa e usava a pata como última tentativa para dizer: “Não aguento isto, ajudem-me.”

Especialistas em comportamento canino explicam que a pata é muitas vezes parte de um conjunto de “sinais de apaziguamento”, pequenos gestos que os cães usam para suavizar interações ou regular a tensão. Olhar desviado, ligeira rotação da cabeça, movimentos lentos e, depois, a pata entra em cena, muito suave ao início.

Se o humano não reage, o cão pode intensificar: mais pressão, arranhar, ganir, até saltar. Não por dominância, mas por confusão. O cão aprendeu que pressionar com a pata às vezes provoca uma reação - qualquer reação.

Assim, o mesmo gesto pode significar “faz-me festinhas”, “estou desconfortável” ou “preciso de espaço” - dependendo de toda a situação.

Como interpretar essa pata… e responder sem enviar mensagens contraditórias

Os especialistas sugerem um método muito simples quando sente uma pata em si: faça uma pausa de três segundos. Pare de se mexer, pare de falar e observe o seu cão com atenção.

O corpo está solto, a cauda abana a meia altura, a boca ligeiramente aberta, olhos suaves? Então essa pata é provavelmente um pedido gentil de afeto ou atenção. Pode responder falando baixinho, fazendo festinhas lentas no peito ou nos ombros, ou convidando para um jogo calmo.

Se o corpo está rígido, olhos muito abertos, orelhas para trás ou muito à frente, cauda encolhida ou erguida como uma bandeira, essa mesma pata pode significar “estou perdido aqui” ou “quero que isto pare”.

Um erro muito comum, segundo treinadores, é reforçar a pata no momento errado. O cão ladra e ladra à janela e depois vem bater no seu braço com a pata, agitado. Você, distraidamente, faz-lhe festinhas para o “acalmar”. Na cabeça dele, acabou de aplaudir a cena toda.

Outro cenário: o seu cão está assustado no veterinário, encosta-se às suas pernas, pata em cima de si, unhas a cravar um pouco nas calças. Você afasta-se porque está a falar com o veterinário, e o cão aprende que, quando tem medo e procura apoio, ninguém responde.

Sejamos honestos: ninguém analisa isto tudo todos os dias. Mas, depois de reparar, é difícil não voltar a ver.

A comportamentalista Julie D., que trabalha com cães reativos e ansiosos, resumiu assim:

“Quando um cão me dá a pata sem eu pedir, não vejo um truque. Vejo uma pergunta. O nosso trabalho é ler a pergunta antes de escolhermos a resposta.”

Ela usa uma pequena lista mental com os clientes quando sentem aquele toque familiar no braço:

  • Olhe para os olhos: suaves e a piscar, ou redondos e fixos?
  • Observe a boca: relaxada ou bem fechada, a arfar depressa?
  • Repare na cauda: abanar suave, rígida ou encolhida?
  • Note o peso: toque leve da pata, ou apoio pesado e arranhões?
  • Recorde o contexto: excitação, medo, aborrecimento ou um momento calmo juntos?

Quando começa a passar por estes cinco pontos, essa pata “aleatória” começa a parecer muito mais uma frase completa.

O que a pata do seu cão pode estar realmente a dizer

Para muitas famílias, descobrir estas camadas de significado muda o dia a dia com o cão. A mesma pata que antes levavam a brincar torna-se, de repente, algo mais sério - quase uma confissão.

Alguns donos percebem que o cão só usa a pata em situações muito específicas: durante discussões em casa, quando as crianças começam a gritar, quando sai o aspirador, quando aparece a trela, ou quando uma visita se levanta para ir embora.

Outros notam o contrário: a pata surge sobretudo em noites calmas e tranquilas, quando toda a gente está sossegada no sofá. Uma forma silenciosa de dizer “não te mexas, fica assim comigo”.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Ler a linguagem corporal Observar olhos, cauda, boca e tensão quando a pata aparece Ajuda a decifrar se o cão procura afeto, tranquilização ou alívio
O contexto importa Ligar o gesto da pata ao que acabou de acontecer no ambiente Evita reforçar stress ou medo por engano
Resposta consistente Contacto calmo em momentos calmos, orientação suave em momentos tensos Cria confiança e reduz ansiedade no dia a dia

FAQ:

  • Porque é que o meu cão só me dá a pata quando eu paro de lhe fazer festinhas? Muitos cães aprendem rapidamente que a pata funciona como um botão de “continua, por favor”. Você para, a pata aparece, você recomeça, e o comportamento é reforçado. Se o seu cão está relaxado e o contexto é calmo, normalmente é apenas um pedido de mais contacto.
  • O meu cão pressiona a pata em mim e depois gania. Está a pedir atenção? Sim, mas a atenção nem sempre é sobre brincadeira. Pode ser sinal de frustração, desconforto ou confusão. Olhe à volta: há algo a preocupar o seu cão, como uma porta fechada, um ruído novo ou um ambiente tenso em casa?
  • Dar a pata é sinal de dominância? Não. A ciência moderna do comportamento não apoia essa velha narrativa de dominância neste contexto. Um cão que dá a pata está a expressar uma emoção ou uma necessidade, não a tentar “assumir o controlo da matilha”.
  • Devo ignorar o meu cão quando ele me dá patadas? Não de forma cega. Ignore a pata apenas se surgir durante sobre-excitação ou comportamento insistente que não quer incentivar e, em vez disso, recompense os momentos de calma. Se a pata aparecer num contexto de medo ou mal-estar, uma presença tranquila e orientação suave são mais adequadas.
  • Posso continuar a ensinar o truque do “dá a pata”? Claro. Basta separar o truque (com um sinal claro e sessões curtas) da vida diária. Um “dá a pata” treinado com sinal não anula o significado emocional de uma pata espontânea noutra situação.

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