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Penteados após os 70: 4 cortes ideais para mulheres com óculos que rejuvenescem o rosto.

Mulher sorrindo ajusta os óculos, enquanto cabeleireiro penteia o cabelo num salão iluminado.

No consultório da optometrista, sob aquela luz de néon impiedosa, a Marie ajusta os seus óculos novos e semicerrra os olhos para o reflexo. A armação é chic, num tartaruga suave que combina com os seus olhos cor de avelã. Mas o que lhe prende a atenção não são os óculos. É o cabelo. Um corte pelos ombros que tem “desde sempre”, a cair um pouco liso, a puxar-lhe as feições para baixo em vez de as levantar.

A optometrista sorri com educação. A Marie sorri de volta, mas pensa, baixinho: “Pareço cansada.”

No autocarro de regresso a casa, repara em todas as outras mulheres de óculos. Algumas parecem imediatamente mais luminosas, frescas, despertas. A mesma idade, as mesmas rugas… e, no entanto, os rostos parecem mais leves, quase radiantes. O que é diferente? O cabelo.

Uma decisão no cabeleireiro pode, de repente, apagar cinco anos de um rosto com óculos.

O bob suave em camadas: o “lifting amigo dos óculos”

Entre cabeleireiros, há um pequeno segredo: numa mulher com mais de 70 anos que usa óculos, um bob suave em camadas é quase batota. O corte termina ao nível do maxilar ou ligeiramente abaixo, e as lentes ficam no centro dessa moldura delicada de cabelo.

Esses degraus invisíveis das camadas trazem movimento, como uma brisa incorporada que nunca desliga. As pontas curvam ligeiramente para dentro, acompanhando o maxilar e suavizando qualquer flacidez à volta do pescoço ou da papada. A luz apanha os diferentes níveis, o que faz a pele parecer menos “plana” e as feições mais despertas.

Nada rígido, nada de “cabelo capacete”. Apenas um halo leve e moderno que respeita o cabelo fino e as feições delicadas.

Vi esta transformação num pequeno salão de bairro. Uma professora reformada, esguia, com cabelo prateado e armações quadradas cor de grafite, sentou-se com um bob pesado e liso que terminava numa linha dura ao queixo. O rosto parecia encaixotado pelo cabelo e pelo plástico.

Trinta minutos depois, com camadas subtis e algumas madeixas finas à volta dos malares, ela levantou-se e o espaço inteiro pareceu mais luminoso. O cabelo já não batia no maxilar como uma guilhotina. Acompanhava-o, levantava-o, quase o abraçava. Os óculos pareciam mais de designer, embora não tivessem mudado.

O comentário dela foi revelador: “Sinto que tirei a minha cara antiga e pus outra mais leve.”

Há aqui um truque visual simples. Os óculos criam linhas horizontais e verticais fortes no rosto. Quando o corte repete essas linhas de forma demasiado brutal - um comprimento direito, uma franja quadrada - tudo endurece. As feições “descem”.

As camadas suaves, pelo contrário, introduzem curvas e diagonais. O olhar já não pára nas rugas ou nas olheiras, mas segue o movimento do cabelo à volta das têmporas e das bochechas. O contraste entre armação e cabelo faz com que as armações pareçam propositadamente elegantes, e não “médicas”.

É por isso que este bob, tantas vezes, apaga aquele ar cansado com uma única escova.

A franja leve e as “air bangs”: o difusor de rugas

A primeira coisa que um bom estilista vai observar quando se senta na cadeira com os óculos postos é a sua testa. Não para julgar as linhas, mas para perceber como a franja pode conversar com o topo da armação. Uma franja pesada e direita pode engolir os olhos. Uma franja leve, arejada, a roçar as sobrancelhas pode fazer o oposto: pô-los em destaque.

O gesto é simples. Cortar uma franja muito suave, ligeiramente mais comprida nas laterais, que quase toca na armação mas não assenta sobre ela. Depois, desbastá-la com a tesoura para que a pele se adivinhe por entre os fios.

O resultado? As linhas da testa desfocam. O topo da armação funde-se com a franja. E os olhos voltam a ser a história principal.

Todas já passámos por isso: aquele momento em que a luz da casa de banho é cruel e cada linha de expressão parece duas vezes mais profunda. Foi exatamente nessa altura que uma mulher chamada Sofia, 72 anos, decidiu mudar a franja. Chegou ao cabeleireiro com uma risca ao lado que, lentamente, tinha recuado, deixando a testa descoberta e os óculos muito “presentes”.

O estilista desenhou uma franja fina e transparente, como um véu. Quando a Sofia voltou a pôr os óculos, a ponte pareceu mais leve e as lentes menos dominantes. A pequena linha vertical entre as sobrancelhas desapareceu por trás do movimento do cabelo.

Ela riu-se alto: “Já nem vejo as minhas rugas, e continuo a ser eu. Isto é magia.”

Há lógica por trás dessa “magia”. Linhas profundas e textura na testa refletem a luz de forma muito direta, sobretudo perto do topo de uma armação. Uma franja leve quebra esse reflexo e difunde-o. O olhar já não pousa numa zona marcada, mas numa margem suave e em movimento.

Uma franja bem doseada também corrige a arquitetura do rosto. Numa testa alta, encurta e reequilibra com os óculos. Numa testa mais baixa, cria altura com um pouco de volume na raiz. O segredo não é tapar, é filtrar.

Usada com inteligência, a franja não esconde a idade. Edita aquilo que o espelho insiste em sobrevalorizar.

Pixie curto e texturizado: o corte “energia extra” para armações pequenas

Para mulheres que gostam de armações pequenas e discretas, a arma mais rejuvenescedora é muitas vezes um pixie curto e texturizado. Não a versão ultraestruturada, quase militar. Uma versão mais descontraída, com fios um pouco mais compridos no topo e à frente, e suavidade à volta das orelhas.

O truque está no gesto da finalização. Uma pequena noz de mousse leve ou creme texturizante, amassada no cabelo húmido com os dedos, levantando as raízes no topo da cabeça e empurrando alguns fios para a frente ou para o lado. Sem escova, sem ferramentas complicadas. Só mãos.

O rosto fica livre. O pescoço alonga. Os óculos assentam no centro de uma moldura dinâmica e viva, em vez de no fundo de uma cortina de cabelo.

Muitas mulheres com mais de 70 dizem que não “se atrevem” a cortar curto, como se o cabelo comprido fosse prova obrigatória de feminilidade. Ao mesmo tempo, queixam-se de que o cabelo afinou, perdeu corpo, ou achata sobre as armações a meio do dia.

O erro mais comum é manter comprimento “para o caso”, o que puxa o rosto para baixo e pesa sobre as lentes. Cabelo fino e frágil raramente beneficia de cair para além do maxilar. Parece mais cheio - e, francamente, mais caro - quando está concentrado numa forma curta e texturizada.

Sejamos honestas: ninguém faz isto todos os dias com rolos e escovas perfeitas. Por isso é que um corte que encaixa sozinho vale o seu peso em anos perdidos.

“Cortar o cabelo curto aos 74 foi como mudar a banda sonora da minha vida”, confidenciou a Jeanne, que usa óculos pequenos e redondos. “As pessoas deixaram de me perguntar se eu estava cansada e começaram a perguntar quem era o meu cabeleireiro.”

  • Mantenha a nuca bem definida: uma linha de nuca limpa alonga a silhueta e evita que os óculos pareçam demasiado baixos no rosto.
  • Peça textura leve no topo: pequenas mechas irregulares que criam a ilusão de mais densidade e ecoam a forma da armação.
  • Evite laterais demasiado “afiadas”: contornos ligeiramente suaves à volta das orelhas impedem que o visual fique severo junto da rigidez da armação.
  • Brinque com a direção da franja: ligeiramente para o lado, acompanha a linha da sobrancelha e abre o olhar por trás das lentes.
  • Escolha produtos de styling com “fixação leve” ou “efeito ar” para manter o movimento e evitar a sensação de capacete, que envelhece toda a gente.

Comprimento pelos ombros com camadas a enquadrar o rosto: a elevação suave para armações maiores

Para mulheres que preferem armações maiores ou mais gráficas, um corte pelos ombros com camadas leves à volta do rosto costuma ser o ponto certo. O cabelo pousa nos ombros, o que mantém uma sensação de comprimento e suavidade, enquanto os ângulos à frente são delicadamente trabalhados para evitar o efeito de “bloco” com os óculos.

A chave são as mechas frontais. Começam mais ou menos ao nível dos malares ou ligeiramente abaixo da borda inferior da armação, e depois descem numa diagonal suave. Quando curvam ligeiramente para dentro, funcionam como um lifting visual, puxando o olhar para cima e para dentro, em direção ao centro do rosto.

O conjunto lê-se como descontraído, mas preciso; moderno, mas não agressivo.

Conheci uma mulher chamada Helen num café, com o cabelo prateado apanhado num rabo-de-cavalo baixo e uns óculos retangulares pesados a deslizarem pelo nariz. Suspirou ao apertar o elástico: “Acabo sempre por prender, puxa-me o rosto para baixo.”

Algumas semanas depois, tinha dado o passo. Mesma cor, mesmos óculos, mas o cabelo roçava os ombros numa forma solta e em camadas. Duas madeixas mais leves emolduravam-lhe as bochechas, a tocar logo abaixo das lentes. O maxilar parecia mais definido, e havia um brilho à volta dos olhos que antes não estava lá.

Disse-me que os netos tinham apenas comentado: “Pareces menos rígida.” Uma frase pequena, mas diz tudo.

Este tipo de corte acompanha a forma como realmente nos mexemos. O comprimento pelos ombros permite prender atrás da orelha quando lê, cozinha ou olha para o telemóvel, sem enterrar os óculos. As camadas que enquadram o rosto impedem que as laterais façam aquele efeito de “cortina a fechar” sobre as armações.

Do ponto de vista visual, estas camadas quebram o retângulo dos óculos com linhas mais suaves e arredondadas. Os malares parecem mais altos, as linhas de marioneta mais suaves. O cabelo deixa de competir com a armação; realça-a como um colarinho bem escolhido realça um colar.

Com madeixas subtis ou uma fusão suave dos brancos, esta forma pode dar a impressão de um filtro leve sobre o rosto inteiro.

Escolher o corte com os óculos postos: o verdadeiro filtro antienvelhecimento

Há uma revolução silenciosa quando as mulheres começam a ir ao cabeleireiro com os óculos postos, em vez de os levarem dobrados na mala. O diálogo muda. O corte é desenhado não numa cabeça abstrata, mas no rosto real do dia a dia: o que lê o jornal, cozinha, ri e vê fotografias dos netos no ecrã.

Visto assim, as quatro famílias de cortes favorecedores tornam-se ferramentas, não regras. Bob suave em camadas, franja leve, pixie texturizado, comprimento pelos ombros com camadas a enquadrar… cada um responde a um duo diferente “rosto + armação”. Um levanta o maxilar, outro não esconde nada mas difunde as linhas, outro injeta energia, outro suaviza.

A pergunta certa já não é “Que corte para a minha idade?”, mas “Que corte para os meus óculos e para aquilo que quero que o meu rosto diga?”

Ponto-chave Detalhe Valor para a leitora
Bob suave em camadas Ao nível do maxilar ou um pouco mais comprido, com movimento delicado à volta do rosto Suaviza contornos descaídos e impede que os óculos “encaixotem” as feições
Franja leve / air bangs Transparente, a roçar as sobrancelhas, ligeiramente mais comprida nas laterais Difunde rugas da testa e equilibra o topo da armação sem esconder os olhos
Pixie texturizado Nuca curta, volume no topo, contornos suaves à volta das orelhas Cria um visual dinâmico e moderno e dá mais corpo ao cabelo fino com armações pequenas
Comprimento pelos ombros com camadas a enquadrar o rosto Comprimento nos ombros, diagonais suaves a partir dos malares “Levanta” ligeiramente o rosto, suaviza armações grandes e mantém um comprimento feminino e versátil

FAQ:

  • Que corte fica melhor se tenho o cabelo muito fino e uso óculos?
    Um pixie curto e texturizado ou um bob suave em camadas acima dos ombros costuma resultar melhor. Estas formas concentram o cabelo e criam a ilusão de densidade, em vez de deixarem os fios finos cair e achatar à volta das armações.
  • Posso manter o cabelo comprido depois dos 70 se uso óculos?
    Sim, desde que o comprimento não puxe o rosto para baixo. Peça camadas a enquadrar o rosto e um desbaste leve nas pontas para que os óculos continuem visíveis e as feições não fiquem enterradas pelas laterais.
  • Que tipo de franja combina com óculos?
    Uma franja leve, semi-transparente, a roçar as sobrancelhas, costuma favorecer a maioria das mulheres com óculos. Deve quase tocar no topo da armação sem assentar nela, e manter-se mais comprida nas laterais para se fundir com o resto do cabelo.
  • Devo pintar o cabelo para parecer mais jovem com os meus óculos?
    Não necessariamente. Um corte bem pensado costuma fazer mais por um aspeto mais jovem do que a cor por si só. Madeixas suaves ou uma fusão discreta dos brancos à volta do rosto podem iluminar o olhar por trás das lentes, mas a forma do corte continua a ser o verdadeiro fator decisivo.
  • Com que frequência devo aparar o corte depois dos 70?
    Em cortes curtos com óculos, aparar a cada 4–6 semanas mantém a forma e a harmonia com a armação. Em bobs ou comprimentos pelos ombros, 6–8 semanas costuma ser suficiente para evitar peso à volta do maxilar e das laterais.

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