Um hábito simples pode bloquear alguns dos esquemas mais sorrateiros.
De levantamentos apressados à chuva a paragens tardias perto de um bar, raramente demoramos junto dos multibancos. No entanto, é precisamente nesse instante apressado - cartão na mão e olhos nas notas - que os burlões entram em cena, discretamente. Um único botão esquecido pode deixar a sua conta bancária exposta muito depois de se ter ido embora.
Porque é que os multibancos continuam a ser um terreno de caça privilegiado
Os pagamentos contactless e a banca móvel dominam as notícias, mas o dinheiro não desapareceu. Em França, por exemplo, o numerário ainda representa cerca de 43% dos pagamentos, e padrões semelhantes surgem em grande parte da Europa nas despesas do dia a dia.
Isso significa que milhões de pessoas continuam a usar multibancos todas as semanas. Os bancos reforçaram os seus sistemas, mas os criminosos adaptaram-se com a mesma rapidez. Enquanto o phishing online chama mais a atenção, as burlas tradicionais nos multibancos continuam - muitas vezes a visar utilizadores distraídos ou stressados.
A fraude em multibancos encaixa, em geral, em três grandes categorias:
- Manipulação técnica da máquina (como dispositivos de skimming)
- Engano e engenharia social (pessoas demasiado próximas, “ajudantes” falsos)
- Exploração de erros do utilizador (como deixar a sessão aberta)
Uma das vitórias mais fáceis para os criminosos nem sequer é de alta tecnologia: é o cliente que se afasta sem fechar totalmente a sessão.
O botão que protege silenciosamente a sua conta bancária
Em muitos multibancos modernos, a sessão termina automaticamente assim que retira o cartão e o dinheiro. No entanto, isso não é garantido. Multibancos mais antigos, certos modelos no estrangeiro, ou máquinas com uma falha de software podem manter a sua sessão ativa por mais alguns segundos.
Nessa pequena janela, a pessoa atrás de si na fila poderia, em teoria, aceder a opções ainda ligadas à sua conta: consultar saldos, levantar mais dinheiro ou alterar definições.
O botão “cancelar”: um reflexo básico, mas poderoso
O hábito mais seguro é surpreendentemente pouco tecnológico. Depois de terminar a operação, não se limite a virar costas. Verifique o ecrã e carregue no botão “cancelar” antes de se afastar.
Carregar em “cancelar” no fim da operação força a máquina a encerrar a sua sessão, eliminando a possibilidade de alguém agir em seu nome.
Bancos espanhóis, entre outros, têm vindo a lembrar os clientes para tocarem sistematicamente em “cancelar” depois de retirarem o dinheiro. O conselho aplica-se com a mesma força no Reino Unido, nos EUA e em qualquer lugar para onde viaje. Para turistas que usam máquinas desconhecidas e menus noutra língua, este gesto pode ser decisivo.
Pense nisto da mesma forma que faz logout na banca online. Não deixaria um portátil aberto numa mesa de café com o ecrã da sua conta visível. No entanto, muitas pessoas afastam-se do multibanco sem esse clique final.
Outros hábitos que tornam os multibancos muito mais seguros
O botão “cancelar” é um bom começo, mas deve fazer parte de uma rotina mais ampla sempre que se aproxima de um multibanco.
Escolha bem a máquina
A segurança começa antes de inserir o cartão. Alguns multibancos são mais atrativos para criminosos do que outros.
- Prefira máquinas no interior: multibancos dentro de agências bancárias, centros comerciais ou átrios bem iluminados tendem a ser mais vigiados.
- Evite locais isolados: uma máquina sozinha numa rua escura, tarde da noite, é um cenário clássico para roubo ou intimidação.
- Procure CCTV: câmaras visíveis e sinalização funcionam como dissuasor para potenciais burlões.
Quando tiver escolha, opte pelo multibanco que deixaria um criminoso menos à vontade - não pelo que fica mais perto do bar ou da saída do parque de estacionamento.
Proteja o seu PIN como se alguém estivesse sempre a observar
Muitas fraudes em multibancos dependem de obter o seu PIN. Com esse código de quatro dígitos, um ladrão que mais tarde roube ou clone o seu cartão pode esvaziar a sua conta.
Faça sempre:
- Tape o teclado com a mão ou com a carteira enquanto digita
- Posicione-se perto da máquina para bloquear ângulos laterais
- Recuse ajuda de desconhecidos que insistem que há algo “errado” com o multibanco
Mesmo que não veja ninguém imediatamente atrás de si, pequenas câmaras escondidas acima ou ao lado do ecrã podem captar os seus dedos. Tapar o teclado dificulta tanto a observação direta (shoulder surfing) como a espionagem por câmara.
Verifique sinais de adulteração na máquina
Os chamados ataques de skimming envolvem criminosos a colocarem peças adicionais no multibanco para copiar os dados do seu cartão. Estes dispositivos são muitas vezes discretos, mas não são perfeitos.
Antes de inserir o cartão, inspecione rapidamente:
- Ranhura do cartão: mexa ligeiramente. Se parecer solta, desalinhada ou volumosa, pare.
- Teclado: uma película/teclado falso pode estar por cima do verdadeiro; se mexer, há um problema.
- Saída de notas e painel frontal: atenção a frentes duplas, molduras de plástico invulgares ou painéis extra à volta do ecrã.
Se algo parecer fora do normal, confie no seu instinto: cancele no ecrã se já tiver começado e afaste-se.
A fraude está a aumentar - e os bancos querem que desconfie
Por toda a Europa e América do Norte, os bancos estão a registar um aumento da fraude em pagamentos de todos os tipos. Embora os ciberataques sofisticados façam manchetes, os criminosos continuam a valorizar métodos à moda antiga que funcionam em ruas movimentadas.
As instituições financeiras contam discretamente com a vigilância dos clientes como parte da sua defesa. Aconselham-no a:
- Verificar extratos regularmente, em papel ou na app
- Ativar alertas para levantamentos ou pagamentos com cartão sempre que possível
- Reportar imediatamente qualquer transação desconhecida
Quando está envolvido um multibanco comprometido, os bancos são muitas vezes obrigados a devolver as perdas, desde que não tenha havido negligência grave. Deixar o cartão na máquina, partilhar o PIN ou aceitar ajuda óbvia de estranhos pode jogar contra si. Tomar precauções básicas, incluindo carregar em “cancelar”, ajuda a demonstrar que agiu de forma responsável.
O que fazer se um multibanco parecer suspeito ou ocorrer um erro
Por vezes, a ameaça é óbvia: uma máquina que retém o cartão, uma mensagem de erro sem sentido, ou um estranho demasiado perto. Nesses momentos, decisões rápidas fazem a diferença.
| Situação | Reação recomendada |
|---|---|
| Cartão não devolvido | Fique no multibanco, ligue para o número de emergência do seu banco, bloqueie o cartão imediatamente. |
| Acessórios estranhos detetados | Carregue em “cancelar”, não insira o cartão e informe o banco ou o pessoal próximo. |
| Pessoa a oferecer ajuda não solicitada | Recuse educadamente, tape o teclado e cancele a operação se se sentir desconfortável. |
| Levantamento desconhecido no extrato | Contacte o seu banco, conteste a transação e considere apresentar queixa às autoridades. |
Um multibanco que “parece estranho” não vale o risco. Quase sempre existe outra máquina a poucos minutos a pé.
Cenários reais que mostram como pequenos hábitos importam
Imagine isto: está numa cidade estrangeira, atrasado para um comboio, e precisa de dinheiro para um táxi. Corre para o multibanco mais próximo, insere o cartão, digita o PIN, apanha as notas e segue a correr. Devido a uma pequena falha técnica, a sua sessão fica ativa por alguns segundos. A pessoa seguinte na fila - ou um cúmplice à espera ali perto - toca em “levantar novamente” e fica com um valor extra tirado da sua conta. De volta a casa, culpa o banco estrangeiro ou o seu banco, quando talvez bastasse um instante para carregar em “cancelar”.
Outro caso comum envolve distração. Alguém aproxima-se a pedir indicações ou a apontar um suposto “problema” com a máquina. Enquanto desvia o olhar, uma segunda pessoa observa o seu PIN ou troca o seu cartão. Se tiver o reflexo de tapar o teclado, recusar ajuda e carregar em “cancelar” ao primeiro sinal de confusão, a sequência quebra-se antes de começar.
Termos-chave e riscos que vale a pena conhecer
Duas expressões surgem repetidamente nas conversas sobre segurança em multibancos:
- Skimming: roubo de dados do cartão através de dispositivos escondidos acoplados a multibancos ou terminais de pagamento. Os dados copiados podem ser usados para criar um cartão clonado e fazer levantamentos noutros locais.
- Shoulder surfing: observar alguém por cima do ombro enquanto digita um PIN ou palavra-passe, por vezes combinado com um roubo posterior do cartão ou do telemóvel.
Ambos os métodos dependem muito do comportamento do utilizador. As máquinas podem ser reforçadas e monitorizadas, mas o momento em que está sozinho diante do terminal continua a ser um ponto fraco. Hábitos como carregar em “cancelar”, proteger o PIN e inspecionar o equipamento transformam esse ponto fraco num alvo muito mais difícil.
Em conjunto, estas pequenas ações não o tornam invencível, mas mudam o equilíbrio. Os criminosos procuram vitórias fáceis: a pessoa distraída que se afasta depressa demais, o turista que fica preso nas opções de idioma e se esquece do essencial. Ao abrandar apenas o suficiente para carregar nesse discreto botão “cancelar”, fecha silenciosamente a porta que eles estão à espera de empurrar.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário