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Novo ciclone já tem data para chegar ao Brasil: veja quando

Mulher em varanda observa telemóvel em dia ventoso, com céu nublado ao fundo. Mesa com garrafa de água e brochura.

Os meteorologistas estão a acompanhar o desenvolvimento de um novo ciclone, que deverá formar-se ao largo da costa sul do Brasil, trazendo chuva intensa, trovoadas e uma descida acentuada face às temperaturas abrasadoras atuais no Sul e em partes do Sudeste.

Primeiro o calor, depois as tempestades

Antes de o ciclone se desenvolver, grande parte do sul do Brasil enfrenta vários dias de calor opressivo. As previsões da Meteored apontam para um período sufocante entre 26 de janeiro e 3 de fevereiro, com o calor mais extremo centrado no Rio Grande do Sul.

Espera-se que os termómetros ultrapassem os 30°C durante a manhã em muitas vilas e cidades, com picos à tarde perto dos 40°C. A combinação de temperaturas elevadas e humidade criará uma forte sensação de abafamento, sobretudo em áreas urbanas de baixa altitude.

Até quarta-feira, 28 de janeiro, prevêem-se máximas diárias acima dos 36°C em grandes áreas do sul do Brasil, em particular no Rio Grande do Sul e na metade ocidental da região.

Este ar quente e instável prepara o cenário para tempestades fortes no final da semana, à medida que sistemas mais frescos e húmidos avançam a partir da Argentina e do Atlântico Sul.

Quando deverá formar-se o novo ciclone

Os meteorologistas esperam que o novo ciclone comece a formar-se entre o final de sexta-feira e sábado, ao longo do troço da costa brasileira entre as regiões Sul e Sudeste. Esse desenvolvimento deverá ocorrer após um aumento gradual das tempestades ao longo da semana.

Datas-chave e tempo esperado

  • Segunda-feira, 26 – quarta-feira, 28: Calor intenso, temperaturas acima da média, trovoadas isoladas no Paraná a expandirem-se a meio da semana.
  • Quinta-feira, 29: As tempestades alastram à maior parte do Sul, com atividade mais forte junto à fronteira oeste do Rio Grande do Sul.
  • Sexta-feira, 30: Chuva intensa e trovoadas concentram-se nas áreas orientais dos estados do Sul, alcançando o nordeste do Rio Grande do Sul.
  • Sexta-feira, 30 – sábado, 31: Condições favoráveis à formação de um novo ciclone sobre o mar, entre as costas do Sul e do Sudeste.

O próprio ciclone deverá formar-se entre sexta-feira e sábado ao largo da linha costeira sul do Brasil, após tempestades severas varrerem o interior.

A hora exata e a intensidade ainda podem mudar, mas o padrão é claro: um início de semana muito quente, seguido de tempestades em expansão e, depois, um sistema mais organizado ao largo.

Que áreas estão mais em risco?

Embora grande parte do sul do Brasil sinta os efeitos do sistema mais amplo associado ao ciclone, algumas áreas enfrentam maior risco de chuva intensa, inundações localizadas e ventos fortes.

Região Principais preocupações
Oeste e Campanha (Rio Grande do Sul) Tempestades severas na quinta-feira, risco de precipitação intensa e rajadas fortes
Centro-oeste de Santa Catarina Instabilidade a expandir-se a meio da semana, aguaceiros localmente intensos e trovoadas
Paraná (centro e nordeste) Maior precipitação prevista, possivelmente acima de 100 mm até sábado
Faixa oriental dos estados do Sul Chuva intensa e tempestades na sexta-feira, influenciadas pela aproximação de um sistema de baixa pressão

As regiões Oeste e Campanha do Rio Grande do Sul já estão sob alerta, já que as primeiras tempestades organizadas deverão chegar a partir da fronteira com a Argentina. Localidades como Uruguaiana podem registar tempo severo logo na manhã de quinta-feira.

A partir daí, a linha de tempestades deverá avançar para leste, afetando Santa Catarina e o Paraná. Os modelos de previsão indicam que, até sexta-feira, a chuva mais intensa e as tempestades mais fortes se concentrarão nas metades orientais destes estados, incluindo zonas costeiras mais densamente povoadas.

Precipitação esperada e intensidade das tempestades

A distribuição da precipitação durante o evento não será uniforme. Mesmo com um sistema forte, alguns distritos poderão registar apenas aguaceiros dispersos, enquanto outros serão atingidos por células convectivas repetidas.

A Meteored estima acumulados entre 50 mm e 80 mm em grande parte do sul do Brasil até sábado, com possibilidade de mais de 100 mm no centro e norte do Paraná.

Estes valores, sobretudo se ocorrerem num curto espaço de tempo, podem provocar cheias urbanas, deslizamentos em encostas íngremes e perturbações na circulação rodoviária. Também são prováveis ventos fortes perto do centro do ciclone em desenvolvimento e ao longo das frentes de tempestade que o alimentam a partir do interior.

Não se podem excluir relâmpagos, rajadas súbitas e granizo, sobretudo onde o ar quente e húmido colide com massas de ar mais frescas em chegada.

Porque é que este padrão se repete no sul do Brasil

Para os residentes do sul do Brasil, esta previsão pode parecer familiar: ondas de calor seguidas de tempestades violentas e depressões costeiras que por vezes se intensificam em ciclones. A região situa-se num cruzamento climático, fortemente influenciado tanto por sistemas tropicais como de latitudes médias.

Ar quente e húmido proveniente da Amazónia e do centro do Brasil encontra frequentemente ar mais fresco e seco que desce do sul. Sobre o Atlântico Sul, estes contrastes térmicos ajudam a formar zonas de baixa pressão que podem evoluir para ciclones, especialmente durante o verão austral, quando as temperaturas da superfície do mar são relativamente elevadas.

Ciclos repetidos de calor, instabilidade e depressões costeiras fazem parte de um padrão mais amplo que tem trazido vários episódios de tempo extremo ao sul do Brasil nos últimos anos.

Cientistas do clima sublinham que, embora um único ciclone não possa ser diretamente atribuído às alterações climáticas, uma atmosfera mais quente e oceanos mais quentes tendem a aumentar a probabilidade de precipitação mais intensa e tempestades mais severas.

Como os residentes se podem preparar no terreno

Embora este ciclone esteja previsto formar-se ao largo, as tempestades associadas e as bandas de chuva afetarão pessoas em terra, particularmente a partir de quinta-feira. Medidas simples podem reduzir os riscos durante este tipo de eventos.

  • Verificar e desobstruir caleiras, sarjetas e valas à beira da estrada antes da chuva mais intensa.
  • Evitar estacionar carros debaixo de árvores velhas ou perto de estruturas soltas quando se prevêem tempestades.
  • Manter os telemóveis carregados e ter lanternas prontas no caso de falhas de energia.
  • Acompanhar os alertas da defesa civil local e os boletins de rádio ou TV para avisos atualizados.
  • Não tentar atravessar ruas inundadas ou pontes baixas, mesmo que a água pareça pouco profunda.

Os agricultores nas regiões afetadas poderão ter de ajustar trabalhos no campo e planos de colheita. A chuva intensa e os ventos fortes podem danificar culturas como soja e milho, deitando plantas abaixo e dificultando o acesso de máquinas. Por outro lado, áreas que vinham enfrentando condições mais secas podem beneficiar de parte desta precipitação, desde que não caia toda de uma vez.

Compreender o termo “ciclone” neste contexto

A palavra “ciclone” pode alarmar quem a associa a furacões ou tufões. Em meteorologia, porém, ciclone descreve simplesmente um sistema de baixa pressão com ventos em rotação. Ao longo da costa sul do Brasil, estes são normalmente ciclones de latitudes médias ou extratropicais, e não ciclones tropicais como os que atingem as Caraíbas ou ilhas do Pacífico.

Ainda assim, podem causar danos significativos através de ventos fortes, mar agitado e chuva intensa, especialmente quando se deslocam lentamente ou quando interagem com solos já saturados. Comunidades costeiras, portos e rotas marítimas ao longo do Atlântico Sul acompanharão este sistema de perto durante a fase de formação entre sexta-feira e sábado.

Por agora, a mensagem dos meteorologistas é clara: espere mais alguns dias de calor opressivo no Sul e, depois, esteja preparado para mudanças rápidas no tempo, tempestades intensas e o nascimento de um novo ciclone ao largo da costa sul do Brasil.

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