Aos 70 e mais, o cabelo muda: tende a ficar mais fino, com menos densidade nas pontas, por vezes mais seco ou com redemoinhos mais teimosos. E há um efeito que muita gente nota: comprimentos longos e direitos podem “pesar” visualmente o rosto, sobretudo na linha do maxilar e no pescoço.
É aqui que o trixie cut costuma resultar bem. É um curto leve, com camadas suaves e franja (ou franja lateral) para abrir o olhar. Em vez de esconder, enquadra: maçãs do rosto mais visíveis, topo com mais altura, nuca mais limpa. O resultado não é “parecer mais nova” à força; é parecer mais fresca e arranjada, com menos esforço.
A lógica é simples: com o tempo, os tecidos perdem firmeza e o cabelo comprido cria linhas verticais “para baixo”. Um corte curto bem desenhado faz o contrário: puxa o foco para cima (volume no topo) e suaviza laterais e testa (franja e patilhas). Em muitos casos, isso dá um efeito “lifting” visual sem rigidez.
Também é prático no dia a dia, especialmente com humidade (comum em zonas costeiras em Portugal): seca mais depressa, aguenta melhor o frisado e não exige escova demorada. Com um bom corte, muitas manhãs resolvem-se com secagem rápida e mãos a dar forma.
Como pedir um trixie cut que realmente favoreça o seu rosto
A melhor forma de acertar é guiar a cabeleireira pelo efeito e pela manutenção que quer, não só pelo comprimento. Diga coisas como: “mais leve”, “com movimento”, “feminino”, “sem ar de capacete”, “não quero ficar dependente de brushing”.
Um trixie clássico costuma ter três pontos:
- Nuca mais curta, mas sem ficar “quadrada” (o acabamento é tudo).
- Topo com leveza para dar altura e não colar ao couro cabeludo.
- Franja ajustada (reta leve ou lateral), para suavizar a testa sem tapar sobrancelhas.
Peça texturização suave, não desbaste agressivo: em cabelo fino, a tesoura de desbaste em excesso pode deixar pontas ralas e frisadas. As patilhas funcionam melhor quando caem até perto do topo da orelha; demasiado curtas tendem a dar um ar infantil.
A frase-chave que costuma ajudar:
“Quero um corte curto, feminino, com suavidade à volta do rosto e leveza no topo.”
Duas decisões que evitam arrependimentos:
- Óculos e franja: confirme o comprimento com os óculos postos (a franja que parece perfeita sem óculos pode bater na lente e incomodar).
- Nuca e pescoço: se não gosta de evidenciar o pescoço, peça uma nuca curta, mas não “rapada”, e laterais ligeiramente mais compridas para equilibrar.
A armadilha mais comum depois dos 70 é ir a um dos extremos: ou manter comprido “por segurança” e ficar com pontas cansadas, ou cortar demasiado rígido e geométrico “por praticidade”. O trixie fica no meio: curto, mas suave; estruturado, mas flexível. Se está insegura, comece por uma versão menos curta à frente e com nuca mais gradual - dá para encurtar na visita seguinte.
“As mulheres com mais de 70 são as minhas clientes mais corajosas”, diz Clara, estilista num salão movimentado de cidade. “Criaram famílias, geriram carreiras, atravessaram tempestades. Mudar um corte não é nada para elas - e, no entanto, é muitas vezes o que mais as comove. O trixie cut permite-lhes voltar a ver-se com clareza, não escondidas sob a ideia de como o cabelo ‘deveria’ ser na idade delas.”
Antes de cortar, ajuda alinhar detalhes práticos:
- Peça para ver referências do corte de lado e de trás (a nuca define se fica moderno ou “clássico demais”).
- Combine manutenção realista: a cada 5–7 semanas mantém a forma; depois disso, a franja pesa e o topo perde altura.
- Para volume, use mousse do tamanho de uma avelã e seque a raiz levantando com os dedos; excesso de produto “cola” e envelhece o acabamento.
- Se usar secador/placa, proteja com protetor térmico e evite calor máximo (cabelo mais fino perde brilho e parte mais facilmente).
- Cor: madeixas muito marcadas ou blocos escuros podem endurecer; em geral, reflexos suaves ou uma transição bem cuidada para o grisalho ficam mais naturais num curto texturizado.
Um corte que diz “ainda estou a mudar” quando o mundo espera que congele
O impacto de um trixie cut aos 70+ raramente é só estético. É a sensação de decisão: um corte com intenção, que abre o rosto e simplifica a rotina.
Muitas mulheres aproveitam para assumir o prateado e, com um corte curto, a textura do branco/cinzento passa a parecer propositada (não “desleixada”). Outras mantêm um loiro suave ou castanho quente e brincam com acabamento: mais polido num dia, mais desalinhado noutro. Um curto bem feito permite variar sem “lutar” contra o cabelo.
Cabelo depois dos 70 não tem de ser um compromisso. Pode ser uma escolha clara, com pequenos ajustes regulares. E a primeira lavagem em casa costuma ser o teste decisivo: se o corte assenta sem manobras complicadas, acertou.
| Ponto-chave | Detalhe | Valor para a leitora |
|---|---|---|
| Efeito “lifting” no rosto | Nuca curta, topo arejado e franja suave elevam visualmente os traços | Dá um aspeto mais fresco e menos cansado sem técnicas invasivas |
| Styling diário fácil | Camadas leves que assentam com pouco produto e pouco tempo de secagem | Poupa energia e tempo, mantendo um ar cuidado na maioria dos dias |
| Personalização depois dos 70 | Franja, comprimento à volta das orelhas e cor adaptados ao seu estilo | Parece um look de assinatura, não um corte “de senhora” genérico |
FAQ:
- O trixie cut é adequado para cabelo muito fino e com queda? Em muitos casos, sim: as camadas curtas tiram peso às pontas e ajudam a criar elevação na raiz, o que dá sensação de mais densidade. Evite é desbaste agressivo; peça camadas suaves e acabamento limpo.
- Posso usar trixie cut se tiver caracóis ou ondas? Sim. Normalmente resulta melhor com um pouco mais de comprimento no topo e franja mais solta (ou lateral). Para definir sem frisar, o difusor em baixa temperatura ajuda.
- Com que frequência devo aparar um trixie cut para continuar a favorecer? Regra prática: 5 a 7 semanas. Depois disso, a franja entra nos olhos e o topo perde forma.
- O trixie cut funciona com cabelo totalmente grisalho ou branco? Funciona muito bem: o branco realça textura e linhas do corte. Um champô matizador usado com moderação (ex.: 1x/semana) pode ajudar a manter o tom luminoso.
- E se eu não gostar depois de cortar? Peça desde o início uma versão com mais comprimento no topo e à volta das orelhas. Assim, ajusta na próxima marcação sem ter de “deixar crescer do zero”.
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