Saltar para o conteúdo

Como branquear dentes que ficaram amarelados com a idade?

Mulher sorridente segura uma caixa de dentes, junto a uma pia de casa de banho iluminada pelo sol.

Past a partir de um certo aniversário, o seu sorriso pode começar a parecer cansado, mesmo que escove todos os dias e evite doces.

Muitas pessoas só se apercebem do amarelecimento associado à idade quando uma fotografia, uma videochamada ou uma consulta no dentista o torna subitamente óbvio. Nessa altura surge a pergunta: é mesmo possível voltar a tornar os dentes mais velhos mais brancos e onde fica a linha entre um cuidado inteligente e atalhos arriscados?

Porque é que os dentes amarelecem naturalmente com o passar dos anos

Os dentes não envelhecem da mesma forma que a pele ou o cabelo, mas envelhecem. Mesmo o sorriso melhor escovado muda de cor com o tempo.

A camada superficial do dente, chamada esmalte, é ligeiramente translúcida. Por baixo está a dentina, um tecido mais duro que é naturalmente mais amarelo ou acinzentado. À medida que envelhecemos, o esmalte vai afinando e desgastando-se gradualmente. A dentina também pode engrossar após repetidos pequenos traumatismos, tornando-se mais visível.

Com a idade, o esmalte fica mais fino e a dentina mais amarelada por baixo torna-se muito mais evidente.

Essa alteração interna é apenas parte da história. A vida quotidiana vai manchando lentamente os dentes:

  • Café, chá e vinho tinto deixam pigmentos escuros em defeitos microscópicos do esmalte.
  • Fumar e vapear com nicotina provocam depósitos castanhos e amarelos persistentes.
  • Certos medicamentos e elixires/colutórios podem alterar a cor dos dentes ao longo do tempo.
  • A boca seca, comum com a idade e com alguns medicamentos, reduz o efeito natural de “limpeza” da saliva.

As gengivas também tendem a retrair ligeiramente com a idade, expondo a superfície mais escura da raiz, que não tem esmalte. Essa raiz exposta pode fazer com que todo o sorriso pareça mais amarelo, mesmo que as coroas dos dentes não tenham mudado muito.

Bons hábitos que abrandam o amarelecimento relacionado com a idade

Antes de pensar em géis branqueadores e tratamentos ativados por luz, os cuidados básicos fazem uma diferença visível, sobretudo quando começam cedo.

Uma escovagem que realmente funciona em dentes mais velhos

Duas escovagens rápidas por dia muitas vezes não chegam. A técnica importa mais do que a força.

Escovar suavemente durante pelo menos dois minutos, duas vezes por dia, com uma escova de cerdas macias remove manchas sem danificar o esmalte.

Alguns pontos práticos:

  • Use uma pasta com flúor e um nível baixo a médio de abrasivos. Esfregar em excesso com pastas “branqueadoras” pode riscar o esmalte.
  • Troque a escova de dentes a cada três meses ou quando as cerdas começarem a abrir.
  • Incline as cerdas em direção à linha da gengiva para limpar onde as manchas se acumulam com frequência.

Uma escova elétrica pode ajudar adultos mais velhos com artrite ou menor destreza. Muitos modelos incluem sensor de pressão, o que reduz o risco de escovagem excessiva e retração gengival.

Limpezas profissionais: a ferramenta de branqueamento esquecida

A destartarização e o polimento no consultório removem tártaro e manchas incrustadas que nenhuma rotina em casa consegue resolver. Pigmentos do chá, café e tabaco aderem ao tártaro, que tende a formar-se mais rapidamente com a idade.

As associações de medicina dentária costumam aconselhar uma limpeza profissional a cada seis a doze meses. Pessoas que fumam, que bebem muito chá ou café, ou que usam próteses parciais, muitas vezes precisam com maior frequência.

Uma única limpeza bem feita pode tornar os dentes um a dois tons mais claros ao remover anos de acumulação superficial.

Branqueamento em casa: o que resulta e o que evitar

Quando a placa e o tártaro estão controlados, os tratamentos de branqueamento têm muito mais hipóteses de resultar. Nem todos os produtos de venda livre têm os mesmos resultados ou o mesmo perfil de segurança.

Pastas branqueadoras e canetas branqueadoras

As pastas branqueadoras baseiam-se sobretudo em abrasivos suaves e, por vezes, numa pequena quantidade de peróxido. Ajudam a remover manchas superficiais, mas não alteram a cor natural do dente.

As canetas branqueadoras costumam conter uma baixa concentração de peróxido de carbamida ou peróxido de hidrogénio. Aplicadas em dentes secos durante alguns minutos por dia, podem clarear ligeiramente manchas recentes, como as de café ou vinho tinto.

Produtos sem receita podem melhorar o brilho em alguns utilizadores, mas não conseguem reverter por completo décadas de amarelecimento associado à idade.

Tiras e moldeiras branqueadoras

As tiras branqueadoras e as moldeiras pré-cheias de venda livre usam géis de peróxido em concentrações mais elevadas. Os resultados variam, mas muitas pessoas referem uma alteração de um a três tons após duas a três semanas.

Problemas comuns incluem irritação gengival, sensibilidade dentária e branqueamento irregular quando as tiras não cobrem totalmente dentes curvos.

Método Efeito esperado Principais riscos
Pasta branqueadora Ligeira remoção de manchas Desgaste do esmalte se for demasiado abrasiva
Tiras branqueadoras 1–3 tons mais claros Sensibilidade, irritação gengival
Moldeiras personalizadas do dentista Clareamento mais uniforme e previsível Sensibilidade, dor gengival temporária

Pessoas com muitas obturações, coroas ou facetas devem falar primeiro com um dentista. Materiais artificiais não branqueiam, o que pode deixar o sorriso irregular, com dentes naturais mais brancos ao lado de restaurações mais antigas.

Branqueamento profissional para um sorriso a envelhecer

Para muitas pessoas com mais de 50 anos, o branqueamento profissional dá resultados mais claros e previsíveis do que kits comprados em loja. O dentista pode despistar cáries, doença gengival e dentes fissurados antes de qualquer branqueamento, reduzindo o risco de reações dolorosas.

Branqueamento em consultório com géis fortes

O branqueamento em consultório utiliza gel de peróxido de alta concentração aplicado diretamente nos dentes, muitas vezes ativado por uma luz especial ou laser. O processo costuma durar cerca de uma hora.

O branqueamento profissional pode clarear os dentes vários tons numa única sessão, sobretudo quando o amarelecimento resulta de alterações internas da dentina.

Os dentistas protegem as gengivas com barreiras ou proteções de borracha antes de aplicar o gel. A sensibilidade dentária temporária é comum, especialmente em quem já reage a bebidas muito frias. Essa sensibilidade costuma desaparecer em poucos dias.

Moldeiras personalizadas para uso em casa

Uma segunda opção, muitas vezes combinada com tratamento em consultório, envolve moldeiras feitas à medida. O dentista faz moldes ou digitalizações dos seus dentes e cria moldeiras finas e flexíveis.

Coloca um gel prescrito nas moldeiras e usa-as algumas horas por dia ou durante a noite por várias semanas. Este método demora mais, mas permite um controlo mais gradual do tom final.

Muitos pacientes preferem esta abordagem mais lenta, porque pode ser interrompida ou ajustada se a sensibilidade se tornar um problema. Também permite “retoques” futuros sem recomeçar do zero.

Quando o branqueamento não é a melhor resposta

Nem todo o amarelecimento responde bem ao branqueamento. Algumas descolorações resultam de antibióticos na infância, traumatismos ou problemas de desenvolvimento no esmalte e na dentina.

Nesses casos, opções estéticas como resina (bonding), facetas ou coroas podem funcionar melhor. Estas cobrem a frente do dente com uma nova superfície, com cor controlada.

O branqueamento pode clarear dentes saudáveis, mas não consegue reparar fissuras, erosão ou defeitos estruturais profundos.

Pessoas com doença gengival não tratada ou perda severa de esmalte podem ser aconselhadas a adiar o branqueamento. O branqueador pode agravar superfícies radiculares expostas e tecidos inflamados. Tratar primeiro os problemas dentários de base protege tanto o conforto como os resultados a longo prazo.

Ajustes na alimentação, bebidas e estilo de vida que protegem um sorriso mais branco

Alterar alguns hábitos diários pode prolongar o tempo entre sessões de branqueamento e fazer com que novas manchas surjam mais lentamente.

  • Reduza bebidas que mancham muito, como chá preto, café, cola e vinho tinto.
  • Beba água em paralelo com bebidas coloridas e passe a boca por água no fim.
  • Use palhinha em café com gelo ou cola para que o líquido toque menos nos dentes.
  • Deixe de fumar ou de vapear nicotina, uma das principais causas de manchas castanhas persistentes.
  • Petisque com menos frequência para favorecer a saliva e limitar ataques ácidos ao esmalte.

Fruta e legumes crocantes, como maçãs e cenouras, não são uma borracha mágica, mas estimulam a saliva e limpam suavemente as superfícies. Os lacticínios fornecem cálcio e fosfatos, que ajudam a fortalecer o esmalte.

Mitos, “truques” caseiros e o que os dentistas desaconselham

Receitas online prometem dentes brancos com ingredientes de cozinha, mas muitas são prejudiciais, sobretudo para esmalte mais fino e envelhecido.

Frutas ácidas, vinagre e pastas de bicarbonato podem desgastar e riscar o esmalte, deixando os dentes mais fracos e, por vezes, ainda mais escuros com o tempo.

Sumo de limão ou vinagre de sidra amolecem a superfície do esmalte. Esfregar depois com bicarbonato ou sal grosso raspa essa camada amolecida. O resultado é uma superfície mais lisa e mais fina, que deixa ver mais a dentina. É o contrário do que a maioria das pessoas pretende.

As pastas e pós de carvão ativado são outra tendência. A cor escura pode tornar o contraste em fotos de antes/depois impressionante, mas as partículas podem ser abrasivas. Em adultos mais velhos, que já têm desgaste do esmalte, essa abrasão pode acelerar o amarelecimento em vez de o prevenir.

Definir expectativas realistas para um sorriso a envelhecer

Dentes aos 60 ou 70 anos raramente parecem dentes de um anúncio de aparelhos ortodônticos para adolescentes. O envelhecimento altera toda a boca: as gengivas recuam, os lábios afinam e a forma do maxilar muda ligeiramente.

Um objetivo realista é um tom mais saudável, mais luminoso e mais uniforme, adequado à cor da pele e do cabelo - não um branco “Hollywood” uniforme. Muitos dentistas usam hoje guias de cor digitais para simular resultados possíveis antes de decidir um plano de tratamento.

Por exemplo, um paciente mais velho com manchas intensas de chá mas esmalte forte pode conseguir uma mudança dramática com uma sessão em consultório. Outra pessoa com esmalte gasto, múltiplas obturações e retração gengival pode ganhar apenas alguns tons; nesse caso, combinar branqueamento com resina (bonding) nos dentes da frente visíveis pode dar um melhor resultado estético.

Termos-chave e cenários que ajudam na decisão

Duas palavras aparecem frequentemente em produtos de branqueamento: peróxido de hidrogénio e peróxido de carbamida. Ambos se decompõem no mesmo ingrediente ativo que clareia manchas dentro do dente. A carbamida liberta peróxido mais lentamente, razão pela qual é comum em moldeiras para uso em casa que ficam na boca por mais tempo.

A sensibilidade após o branqueamento costuma resultar do movimento de fluidos dentro de pequenos túbulos na dentina, e não de danos permanentes.

Pessoas com dentes sensíveis podem pedir ao dentista géis dessensibilizantes ou vernizes de flúor, aplicados antes e depois do branqueamento. Espaçar as sessões alguns dias também ajuda. Quem bebe muitas bebidas ácidas pode precisar de as reduzir durante algum tempo, porque o esmalte amolecido por ácidos reage mais aos agentes branqueadores.

Amarelecimento relacionado com a idade não significa desistir de um sorriso confiante. Combinar higiene cuidadosa, mudanças moderadas no estilo de vida e, quando apropriado, branqueamento supervisionado pode “tirar anos” sem danificar um esmalte já frágil. O plano mais eficaz é, normalmente, personalizado - construído em torno dos dentes que tem hoje, não dos que lembra em fotografias antigas.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário