Across da Europa e dos EUA, proprietários que se apressaram a revestir as paredes com ripas verticais de madeira estão a começar a arrepender-se. Esse visual gráfico, perfeito para o Pinterest, tornou-se vítima do seu próprio sucesso, parecendo escuro e demasiado “desenhado” em divisões pequenas. Os designers dizem que a nova aposta para 2026 mantém o calor e a textura, mas troca o volume por leveza, um relevo subtil e uma estética calma e mais lenta, enraizada no artesanato tradicional.
A queda das ripas de parede, a ascensão da palhinha entrançada e das molduras discretas
Nos últimos cinco anos, as ripas verticais de madeira estiveram em todo o lado: atrás de camas, em paredes de TV, a emoldurar escritórios em casa. Prometiam caráter arquitetónico instantâneo. Na prática, muitos espaços ficaram mais escuros, acumularam mais pó e tornaram-se mais difíceis de limpar do que se esperava.
2026 assinala uma mudança das linhas rígidas e tábuas pesadas para superfícies mais leves e arejadas, que ainda assim parecem quentes e táteis.
O vencedor inesperado desta nova fase não é um material de vanguarda, mas um clássico que regressa com um toque contemporâneo: palhinha natural entrançada, geralmente em vime. Esta trama aberta, em treliça, deixa a luz e o ar circular, transformando a forma como uma divisão se sente, sobretudo durante os meses mais escuros do inverno.
Em vez de paredes fechadas, com ar de cabana, os painéis de palhinha filtram a luz do dia. Suavizam os raios mais duros, criam sombras delicadas e dão sensação de profundidade sem fechar o espaço. Usada em portas de roupeiros, aparadores, cabeceiras ou painéis de parede, a palhinha traz uma presença artesanal, quase feita à mão, que as ripas nunca chegaram a conseguir.
No entanto, os designers raramente usam a palhinha sozinha. Para evitar que as casas pareçam uma marquise dos anos 1970, estão a combiná-la com outro detalhe mais minimalista: molduras finas pintadas tom sobre tom.
Estas tiras estreitas de madeira, MDF ou poliuretano emolduram secções da parede, assinalam um lambril ou criam caixas e retângulos simples que lembram apartamentos europeus antigos, mas de forma muito discreta. Pintadas exatamente na mesma cor da parede, passam despercebidas ao olhar, mas acrescentam estrutura e ritmo.
A nova combinação é clara: textura orgânica da palhinha, mais linhas arquitetónicas suaves das molduras, com quase nenhuma poluição visual.
Porque este duo “natural + relevo” transforma uma divisão sem a sobrecarregar
A principal crítica às paredes ripadas é o seu peso visual. Tábuas verticais escuras podem dominar uma divisão pequena, especialmente no inverno, quando acrescentamos cortinados grossos, mantas de lã e tapetes pesados.
A palhinha reage de forma muito diferente. Por ser perfurada, deixa a parede “respirar”. Vê-se um vislumbre do que está por trás, pelo que veste a superfície sem a transformar num bloco. Num armário, por exemplo, frentes em palhinha podem fazer um móvel volumoso parecer mais leve e menos imponente.
Ao mesmo tempo, as molduras de parede trazem uma sensação de ordem e sofisticação, sem o aparato de uma boiserie tradicional completa. Acrescentam relevo suficiente para a luz bater nas arestas e criar sombras que mudam ao longo do dia.
Pintadas tom sobre tom, as molduras são quase invisíveis à distância, mas aprofundam discretamente o espaço e fazem paredes lisas parecerem mais pensadas.
Isto encaixa no que os decoradores chamam “slow decor”: menos cores de impacto, mais texturas que apetece tocar. O contraste entre a palhinha ligeiramente áspera e a parede lisa pintada faz a divisão parecer mais composta, mesmo quando a paleta se mantém muito suave - pense em branco calcário, bege argila ou verde sálvia.
De tendência do Instagram a novo clássico: porque a palhinha volta a parecer atual
A palhinha tem uma longa história no mobiliário, desde cadeiras de café a cabeceiras vintage. O seu regresso é impulsionado por vários fatores: as pessoas estão cansadas de acabamentos falsos, com aspeto plástico; querem sinais de trabalho manual; e desconfiam de grandes obras para tendências de curta duração.
Em 2026, a palhinha raramente é usada em divisórias de altura total. Em vez disso, aparece em intervenções menores e direcionadas:
- Portas de aparadores, móveis de TV ou roupeiros
- Painéis embutidos em cabeceiras ou estrados
- Portas de correr a esconder prateleiras ou zonas utilitárias
- Painéis amovíveis de parede atrás de um sofá ou secretária
Esta escala torna-a fácil de usar no dia a dia e fácil de mudar. Também melhora o conforto: frentes em palhinha nos armários permitem melhor circulação de ar, o que ajuda com roupa, roupa de cama ou até routers e eletrónica que tende a aquecer dentro de móveis fechados.
“Parede de revista” acessível sem grandes obras
Muitos proprietários assumem que paredes subtis e detalhadas exigem mão de obra profissional e materiais de luxo. Este novo duo é quase o oposto: é uma das tendências mais acessíveis do início de 2026.
| Elemento | Utilização típica | Custo indicativo | Competências necessárias |
|---|---|---|---|
| Palhinha entrançada | Portas, cabeceiras, pequenos painéis de parede | Cerca de 15–40 € por painel ou metro | Cortar, agrafar ou colar |
| Molduras finas | Molduras de parede, lambris, contornos de portas | Cerca de 5–15 € por metro linear | Medir, cortes em meia-esquadria, cola |
A palhinha é normalmente vendida em rolos ou folhas. Um agrafador simples ou uma cola de contacto forte é suficiente para aplicá-la sobre uma base de madeira. Quem está a começar pode testar primeiro em portas lisas de armário ou numa cabeceira de pinho económica antes de avançar para painéis de parede mais complexos.
As molduras são igualmente diretas. Perfis leves em poliestireno ou poliuretano cortam-se facilmente com uma caixa de meia-esquadria e uma serra simples. Coladas diretamente à parede e depois vedadas (com massa/selante) e pintadas, transformam uma superfície vazia numa tarde.
A promessa é tentadora: mudança visível, obra mínima e um orçamento que muitas vezes fica abaixo do custo de ripas em madeira maciça.
Como combinar palhinha e molduras em divisões reais
Num quarto
Uma abordagem popular é uma parede de cabeceira a meia altura. Uma faixa pintada sobe até cerca de um metro, emoldurada por molduras finas. Por cima da cama, um painel largo de palhinha pode ficar pendurado como uma peça de arte ou fixo numa moldura pouco profunda, trazendo calor à altura do olhar sem dominar a parede.
Numa sala
Em vez de revestir toda a parede da TV com madeira, os decoradores sugerem agora um aparador baixo com portas em palhinha. A parede por cima recebe molduras simples pintadas na mesma cor do fundo. Assim, a TV lê-se como parte da geometria, e não como o elemento principal.
Num corredor ou entrada
Os espaços estreitos são os que mais sofrem com revestimentos pesados. Aqui, um lambril fino em moldura, pintado como a parede, pode definir o terço inferior. Um único painel de palhinha num banco, sapateira ou conjunto de ganchos acrescenta textura à escala humana, sem estreitar o corredor.
O que “tom sobre tom” significa realmente para tinta e molduras
A expressão “tom sobre tom” confunde muitas pessoas. Não significa escolher duas cores aleatórias da mesma marca. Significa usar exatamente o mesmo tom na parede e nas molduras, ou escolher tons tão próximos que o olho os lê como um só.
O relevo surge então apenas da sombra e da luz, não do contraste. Isso torna a divisão mais calma, especialmente em espaços onde já existe ruído visual com livros, brinquedos ou estantes abertas.
Para quem tem receio de escolher cores, tons neutros como branco sujo, pedra, greige ou verdes suaves funcionam bem com a nota mel da palhinha natural. Um acabamento mate ou casca de ovo costuma favorecer as molduras, por suavizar pequenas imperfeições nos cortes ou no enchimento.
Riscos, concessões e como evitar um aspeto kitsch
Como qualquer revivalismo, a palhinha traz o risco de excesso de nostalgia. Demasiada palhinha, combinada com móveis de vime e tecidos florais, pode rapidamente parecer um café temático.
Os designers sugerem algumas salvaguardas:
- Limitar a palhinha a uma ou duas zonas-chave por divisão.
- Equilibrá-la com linhas lisas e modernas no restante mobiliário.
- Manter ferragens simples: preto, latão escovado ou aço inoxidável.
- Usar cores lisas nas paredes em vez de papéis de parede muito estampados nas proximidades.
Outro ponto a considerar é a manutenção. A palhinha é natural e pode ceder se exposta a humidade elevada ou a oscilações bruscas de temperatura. Em casas de banho ou cozinhas, exige colocação cuidadosa, afastada de salpicos diretos e com boa ventilação.
Em casas com gatos que gostam de arranhar, colocar a palhinha mais alto na parede ou limitá-la a portas que se mantêm fechadas pode reduzir danos. Em casas arrendadas, painéis amovíveis fixos com pequenos parafusos ou até fitas adesivas fortes para quadros podem permitir uma melhoria reversível.
Para além de 2026: o que esta mudança nos diz sobre as tendências de casa
A passagem das ripas para a palhinha e as molduras discretas aponta para uma mudança mais ampla na forma como as pessoas encaram a decoração. Há menos apetite por paredes “de espetáculo” feitas apenas para as redes sociais e mais foco em conforto, tato e facilidade de viver.
As casas são cada vez mais espaços de múltiplo uso: escritórios de dia, salas de cinema à noite, salas de brincar ao fim de semana. Superfícies que trabalham bem com a luz, que são agradáveis ao toque e que não pedem atenção constante ajustam-se melhor a este estilo de vida flexível.
Se está a planear mudanças este ano, um exercício simples pode ajudar: imagine a divisão com as luzes apagadas, iluminada apenas por um candeeiro ou pela luz de inverno. Pergunte-se se as paredes atuais parecem pesadas ou “chapadas”. Se sim, uma mistura de molduras leves e alguns painéis de palhinha bem colocados pode ser suficiente para mudar o ambiente, sem arrancar tudo nem perseguir a próxima moda passageira.
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