New research suggests that the colourful boards, dice and pawns many families already own could be doing far more than filling a rainy afternoon. When used deliberately, simple board games seem to train key maths skills in young children - and the effect appears after just a few minutes of regular play.
Jogos de tabuleiro que ensinam matemática “às escondidas”
Durante anos, muitos pais encararam os jogos de tabuleiro como uma distração agradável. Divertidos, sim. Educativos, nem por isso. Um grupo de investigadores nos Estados Unidos diz agora que essa visão está desatualizada.
O HEDCO Institute, da Universidade do Oregon, analisou 18 estudos distintos sobre o impacto dos jogos de tabuleiro na aprendizagem precoce da matemática, desde a educação pré-escolar até, sensivelmente, ao 2.º ano. A meta-análise centrou-se sobretudo nos chamados jogos “lineares”, em que um peão avança ao longo de um percurso numerado: pense em jogos onde se lança um dado, se avança esse número de casas e se corre até à meta.
As crianças que jogam regularmente jogos simples baseados em números apresentam ganhos mensuráveis na contagem, no reconhecimento de números e na compreensão de quantidades.
A investigação sugere que estes jogos ajudam as crianças a desenvolver o que os especialistas chamam “numeracia”: a capacidade de compreender e usar números em situações do dia a dia. Contar casas, associar o resultado do dado ao tabuleiro e comparar quem vai à frente leva as crianças a ligar palavras-numero, algarismos escritos e quantidades reais.
Dez minutos que deixam marca
Uma das conclusões mais marcantes da análise do Oregon é a quantidade mínima de tempo necessária. Ao longo dos estudos, as crianças jogaram jogos baseados em números em períodos curtos, muitas vezes de cerca de dez minutos, ao longo de várias sessões.
Esses momentos breves foram suficientes para criar ganhos duradouros em competências nucleares como:
- Contar em voz alta na ordem correta
- Reconhecer números escritos em cartas, dados ou tabuleiros
- Avaliar qual de dois números é maior
- Compreender que “cinco” significa sempre a mesma quantidade, seja em pontos, casas ou peças
Os investigadores concluíram que o progresso não era apenas anedótico. Testes padronizados de matemática aplicados antes e depois das sessões de jogo mostraram melhorias estatisticamente significativas nas crianças expostas a jogos de tabuleiro bem concebidos, em comparação com grupos de controlo.
Algumas sessões de jogo focadas podem produzir ganhos em matemática que os professores normalmente esperam obter com exercícios mais formais em sala de aula.
Porque é que jogar funciona melhor do que fichas
O artigo na Review of Educational Research que sustenta estas conclusões analisou 123 medidas diferentes de desempenho em matemática. Um padrão recorrente destaca-se: a repetição envolta em prazer é muito mais poderosa do que a repetição por si só.
Cada jogada num jogo de tabuleiro pede à criança que repita o mesmo conjunto de microcompetências: lançar o dado, ler o número, contar as casas, verificar o resultado. O cérebro pratica repetidamente, mas, por fazer parte de uma narrativa - uma corrida, uma missão, uma perseguição - não parece aprendizagem mecânica.
Este tipo de repetição lúdica encaixa no estilo natural de aprendizagem das crianças pequenas. Elas aprendem através da manipulação, da tentativa e erro e do feedback rápido. Um erro de contagem num jogo de tabuleiro é detetado de imediato: o peão cai na casa errada, outro jogador contesta e a criança corrige-se no momento.
Os jogos de tabuleiro transformam os erros em parte da diversão, o que reduz a ansiedade e mantém as crianças dispostas a tentar novamente.
O papel dos adultos e do design do jogo
A meta-análise também aponta fatores que influenciam a força do “impulso” na matemática. Três elementos foram particularmente importantes:
| Fator | Impacto na aprendizagem |
|---|---|
| Frequência de jogo | Mais sessões curtas por semana levaram a ganhos mais claros na contagem e no sentido do número. |
| Design do tabuleiro | Linhas numéricas claras, casas espaçadas de forma uniforme e algarismos visíveis reforçaram a ligação entre contagem e quantidade. |
| Orientação de adultos | Quando os adultos comentavam os números (“Avançaste seis casas!”, “Quem vai à frente por duas?”), as crianças progrediam mais depressa. |
Jogos que baralham números de forma aleatória ou que se focam apenas em cores e personagens oferecem menos prática numérica. Em contraste, jogos em que os números aumentam passo a passo ao longo de um percurso ajudam as crianças a perceber que cada novo número é “mais um” do que o anterior, e não apenas mais um rótulo.
Da sala de aula para a mesa da cozinha
Os professores começam a prestar atenção porque estes jogos são baratos, fáceis de arrumar e rápidos de preparar entre atividades. Um jogo de percurso numerado pode encaixar num intervalo de dez minutos no final de uma aula, sem ecrãs nem materiais especiais.
Em casa, a barreira é ainda menor. Muitas famílias já têm jogos que podem ser orientados para a prática de matemática com pequenos ajustes: pedir às crianças que leiam o dado em voz alta, convidá-las a dizer quantas casas faltam para a meta, ou sugerir que prevejam quem vai ganhar com base nas posições atuais.
Integrar um jogo de tabuleiro curto na rotina da noite pode ser tão impactante para a matemática inicial como uma ficha extra - e com muito menos conflito.
Que tipos de jogos ajudam mais?
Pais e educadores não precisam de produtos “educativos” especializados. O essencial é escolher ou adaptar jogos que envolvam números de forma natural. Características úteis incluem:
- Um percurso numerado em que as peças avançam ou recuam
- Dados ou roletas com quantidades claras (pontos ou números)
- Regras que envolvam somar, subtrair ou comparar casas
- Turnos que incentivem a contagem em voz alta
Alguns títulos clássicos já incluem estes elementos. Outros podem ser ajustados: colocar autocolantes com números nas casas, pedir às crianças que se movam usando adição simples (“Saiu 3 e 2, quanto dá no total?”), ou criar movimentos “bónus” quando a criança responde corretamente a uma pergunta rápida sobre números.
O que os investigadores querem dizer com “sentido do número”
Grande parte da discussão gira em torno do “sentido do número”, um termo que pode soar vago. Na prática, refere-se a um conjunto de ideias básicas de que as crianças precisam muito antes de enfrentarem frações ou álgebra. Inclui:
- Saber que os números seguem uma ordem fixa
- Perceber que cada passo na reta numérica acrescenta um
- Associar algarismos escritos (5) a palavras ditas (“cinco”) e a conjuntos reais (cinco casas)
- Compreender “mais”, “menos” e “igual” em situações práticas
Os jogos de tabuleiro colocam estas ideias diante das crianças de forma repetida e física. Recuar três casas como penalização, ou avançar duas como recompensa, transforma diferenças abstratas em experiências concretas.
Um cenário rápido: uma noite de jogos que desenvolve competências
Imagine uma criança de cinco anos a jogar um jogo simples de corrida no chão da sala. A cada turno, lança um dado, grita o número e toca em cada quadrado enquanto avança. A meio, um pai pergunta: “Quem está mais perto da meta? Por quantas casas?”
Sem se aperceber, a criança compara quantidades, estima distâncias e raciocina sobre números numa linha. Mais tarde, de volta à escola, essa mesma criança pode ter mais facilidade em seguir uma sequência numérica ou resolver um problema simples em formato de história, porque a ideia de “mais três” ou “menos dois” já lhe é familiar.
Benefícios e alguns cuidados
A investigação aponta várias vantagens para além da matemática. Os jogos de tabuleiro convidam à alternância de turnos, à paciência e à atenção. As crianças aprendem a seguir regras, lidar com pequenas desilusões e celebrar o sucesso dos outros. Estes hábitos sociais apoiam a aprendizagem em muitas disciplinas.
Há, no entanto, alguns aspetos a ter em conta. Jogos muito competitivos podem frustrar algumas crianças, sobretudo se perderem repetidamente. Os adultos podem atenuar isto focando o esforço e as estratégias, e não apenas o vencedor, ou jogando em equipas cooperativas em que o grupo ganha ou perde em conjunto.
Usados com cuidado, os jogos de tabuleiro oferecem uma combinação rara: baixo custo, pouca preparação e ganhos consistentes tanto em competências matemáticas como em confiança social.
Para famílias e escolas já sobrecarregadas por currículos e ecrãs, essa combinação pode ser motivo suficiente para tirar uma caixa empoeirada do armário, lançar os dados e construir silenciosamente as lições de matemática de amanhã - jogada a jogada.
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