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A psicologia diz que quem usa redes sociais sem comentar ou publicar costuma ter estes 5 traços.

Pessoa com telemóvel numa mesa de café, com caderno e chá. Três pessoas desfocadas em conversa ao fundo.

Estás deitado na cama, a fazer scroll com o polegar sob o brilho azul do ecrã. As histórias passam: o noivado de um amigo, as férias de um colega, a opinião incendiária de alguém sobre o mais recente escândalo. Lês os comentários, vês os reels até ao fim, e até vasculhas os perfis de pessoas que mal conheces.

O teu próprio perfil? Silencioso. Nada de publicações novas desde 2021. Zero comentários, talvez um gosto meio sem vontade aqui e ali.

Sabes tudo o que se passa na vida de toda a gente, mas quase ninguém sabe o que realmente se passa na tua.

O estranho é que este papel silencioso parece estranhamente confortável. Talvez até seguro.

E a psicologia tem muito a dizer sobre esse conforto discreto.

O “observador silencioso” e o conforto da invisibilidade

Se fizeres scroll tempo suficiente, começas a reparar neles: as pessoas que estão sempre online, sempre “visto há 2 minutos”, sempre as primeiras a ver uma story. Não reagem a nada, não comentam nada, raramente publicam o que quer que seja. São o público invisível por trás de todas as plataformas.

Os psicólogos chamam a este tipo de comportamento “lurking” nas redes sociais - estar lá, mas nunca ser realmente visto. Não é preguiça. É uma forma específica de te relacionares com os outros, só que um passo atrás.

Pensa na Laura, 32 anos. Consegue dizer-te a data exacta em que o crush do secundário se casou, o novo trabalho que a ex-colega acabou de conseguir, a cidade para onde o primo se mudou no mês passado. Viu tudo a desenrolar-se através do feed.

Mas quando a melhor amiga foi ao perfil dela, perguntou: “Está tudo bem? Já não publicas nada há imenso tempo.”

A Laura riu-se e desvalorizou, mas mais tarde admitiu, em silêncio, para si mesma: “Sinto-me como um fantasma que conhece toda a gente, mas que ninguém vê de verdade.”

A psicologia sugere que esta posição de “fantasma” costuma vir acompanhada de uma mistura de traços: alta sensibilidade ao julgamento, tendência para observar antes de agir e um desejo de ligação que está constantemente a lutar com o medo da exposição.

Por fora pode parecer timidez, mas isso é só parte da história. Alguns “lurkers” são confiantes na vida real, faladores no trabalho, engraçados ao jantar. Só sentem um tipo diferente de vulnerabilidade quando algo fica congelado num ecrã.

É aí que surge o primeiro traço: um instinto profundo, quase automático, de auto-protecção.

Traço 1: Um radar de auto-protecção muito forte

Quem faz scroll em silêncio costuma estar a fazer um cálculo invisível em segundo plano: “Se eu publicar isto, o que é que pode correr mal?” Nem sempre é consciente, mas é constante.

Os psicólogos associam isto a uma auto-monitorização elevada: pessoas que acompanham continuamente a forma como podem ser percepcionadas. Para elas, publicar não é só partilhar; é abrir uma porta a uma multidão cujas reacções não conseguem controlar.

Por isso escolhem a opção mais segura. Ver tudo. Revelar quase nada.

Imagina o Mark, que escreve três legendas diferentes para uma foto e depois apaga tudo antes de publicar. Diz a si próprio: “Ninguém quer saber”, mas não é bem isso que se passa. Por baixo há uma linha mais silenciosa de pensamento: “E se alguém se rir disto? E se acharem que estou a tentar demasiado?”

Esse medo pequeno, empilhado ao longo de centenas de momentos digitais, transforma-se num hábito claro: consumir conteúdo, não criá-lo. O radar de auto-protecção não grita; dá um empurrão suave. Com o tempo, vence.

Do ponto de vista psicológico, isto é um tipo de gestão de risco social. As redes sociais amplificam a visibilidade, e a visibilidade amplifica a possibilidade de embaraço, crítica ou mal-entendidos.

As pessoas com um radar de auto-protecção forte sentem essa amplificação mais do que as outras. Não são paranóicas, apenas muito afinadas. Muitas vezes tiveram experiências passadas - um comentário rude, um mal-entendido, uma publicação antiga de que se arrependem - que ensinaram ao cérebro uma regra simples: “A tua jogada mais segura é o silêncio.”

O comportamento parece passivo, mas o pensamento por trás dele é extremamente activo.

Traço 2: Alta sensibilidade e profundidade emocional

Outro traço recorrente que os psicólogos observam em utilizadores “sempre a ver, nunca a publicar” é a alta sensibilidade. São pessoas que não se limitam a ver uma publicação; sentem-na.

Notam o tom numa legenda, o cansaço nos olhos de alguém numa selfie, a tensão numa foto de férias de um casal. O sistema nervoso delas é como um microfone muito afinado que capta cada pequeno ruído emocional.

Por isso, quando pensam em publicar, imaginam imediatamente como os outros poderão ler nas entrelinhas - porque é exactamente isso que elas fazem.

A Sophia, 27 anos, segue 600 pessoas e podia escrever uma biografia emocional de metade delas. Lembra-se de quem acabou uma relação no inverno passado, de quem teve um dos pais no hospital, de quem começou terapia. Nunca comenta “Está tudo bem?” nas publicações, mas preocupa-se em silêncio.

Quando tentou partilhar uma história vulnerável uma vez, passou os três dias seguintes a repetir mentalmente todas as interpretações possíveis das suas palavras. Partilhei demais? Soei dramática? Alguém achou que eu estava a pedir atenção?

Uma única publicação custou-lhe mais energia emocional do que uma semana de scroll.

A alta sensibilidade anda muitas vezes de mãos dadas com empatia e profundidade emocional. Isso pode ser um dom fora da internet, mas nas redes sociais, o fluxo constante de estímulos pode ser saturante.

Publicar significa acrescentar mais um fio emocional à teia. Para pessoas altamente sensíveis, isso pode parecer acrescentar uma pressão que não têm a certeza de conseguir aguentar. Por isso ficam nos bastidores, a absorver em silêncio em vez de projectar.

Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias - a diferença é que os “lurkers” sensíveis notam o peso emocional de cada interacção mais do que a maioria.

Traço 3: Preferência por observar em vez de actuar para a plateia

Há também um traço cognitivo em jogo: algumas pessoas são observadoras por natureza. Gostam de recolher informação, detectar padrões, ficar ligeiramente fora dos holofotes.

As redes sociais, com contagens de gostos e comentários públicos, transformam o quotidiano numa espécie de palco. Quem prefere observar sente muitas vezes que publicar é uma performance - e não quer fazer audições.

Para essas pessoas, o silêncio parece mais autêntico do que um “best of” polido.

Pensa naquele colega que raramente fala em reuniões grandes, mas depois, em conversa a dois, dá uma opinião afiada e ponderada sobre tudo o que foi dito. Online, fazem o mesmo.

Guardam publicações, enviam links em privado, mandam memes por DM a dois amigos próximos em vez de os publicar publicamente. O cérebro deles funciona naturalmente assim: “Primeiro observa. Pensa. Arquiva. Não te apresses a falar.”

Não estão ausentes da conversa. Só preferem o canal de bastidores em vez do palco principal.

Por vezes, os psicólogos relacionam isto com uma personalidade mais introspectiva e uma menor necessidade de “recompensa social”. Em termos simples: gostos e comentários não activam o cérebro deles como activam o de outras pessoas.

Tiram prazer de compreender, não de serem vistos. Por isso, o scroll infinito torna-se um campo de pesquisa, não um outdoor.

Não estão a falhar na participação; estão a participar numa linguagem diferente, mais silenciosa.

Traço 4: Vulnerabilidade controlada e dificuldades de confiança

Se olhares com atenção, emerge um quarto traço: controlo apertado sobre o que é vulnerável e sobre quem tem acesso a isso. Quem faz scroll em silêncio costuma ter mundos interiores ricos, histórias pessoais, opiniões fortes - mas partilha-as com um círculo muito pequeno.

As redes sociais, com screenshots e arquivos permanentes, parecem o oposto de vulnerabilidade controlada. Quando algo sai, pode ser tirado do contexto, revisto anos depois, usado de formas que nunca pretendeste.

Por isso guardam as partes mais sensíveis fora da internet.

Talvez já tenhas feito isto também: escreves uma publicação longa e honesta sobre uma fase difícil, deixas nos rascunhos e depois apagas. Não porque não fosse verdade, mas porque parecia demasiado exposto, demasiado público.

A psicologia tem uma explicação simples. Pessoas que foram magoadas, mal interpretadas ou traídas no passado aprendem a ser muito deliberadas sobre onde colocam a sua energia emocional. Um feed público cheio de conhecidos, ex-parceiros, colegas de trabalho e familiares distantes não parece o lugar certo para isso.

Não são “fechadas”; são selectivamente abertas.

Um psicólogo com quem falei resumiu assim:

“Confundimos partilha pública com autenticidade. Para muitas pessoas, a autenticidade real vive em conversas privadas, não à frente de centenas de espectadores silenciosos.”

É aqui que os traços do scroll silencioso muitas vezes se sobrepõem:

  • Importam-se profundamente com a forma como as suas palavras são recebidas.
  • Valorizam a privacidade, mesmo numa cultura que recompensa a exposição.
  • Vêem a internet como permanente, não como um momento passageiro.
  • Aprenderam a proteger as suas histórias mais sensíveis.
  • Confiam devagar, e isso nem sempre é uma coisa má.

Traço 5: Necessidade escondida de ligação (e um caminho a seguir)

Por trás de todos estes traços, há um último padrão que aparece repetidamente na investigação: fazer “lurking” raramente é pura indiferença. A maioria dos scrolladores silenciosos tem uma necessidade muito real de ligação. Só hesita em satisfazê-la em público.

Querem sentir-se incluídos, a par das novidades, parte do grupo. Ver a vida dos outros a desenrolar-se online dá uma sensação de proximidade, mesmo que nunca carreguem em “comentar”.

O paradoxo é simples: desejam ligação, enquanto se mantêm estrategicamente fora de vista.

Isto não significa que haja algo “errado” com elas. Mas levanta uma pergunta discreta: quantas amizades potenciais, colaborações ou trocas calorosas nunca acontecem por causa daquele último 1% de hesitação?

Algumas pessoas encontram pequenas formas de fazer a ponte: reagir em privado a uma story, enviar uma DM de apoio em vez de um comentário público, publicar uma vez de poucos em poucos meses em vez de desaparecer por completo. Pequenas experiências de visibilidade, ao seu próprio ritmo.

Muitas vezes, o primeiro passo não é “Publica mais.” É “Repara no que te assusta em seres visto e decide que medos já não queres obedecer.”

Se te reconheces neste retrato, não estás sozinho. As plataformas que usamos todos os dias foram desenhadas para máxima exposição, não para personalidades mais silenciosas a navegar nelas.

Não tens de te tornar um influencer. Não tens de publicar cada café, cada pôr-do-sol, cada pensamento.

Talvez possas começar por te perguntares: que tipo de presença online é que realmente pareceria “eu” - não mais barulhenta, não mais corajosa, apenas um pouco menos invisível?

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Radar de auto-protecção Os “lurkers” antecipam muitas vezes reacções negativas, por isso evitam publicar Ajuda-te a perceber que o teu silêncio é uma estratégia, não uma falha
Observador em vez de performer Preferência por ver, analisar e partilhar em privado Reenquadra o teu comportamento como um estilo de personalidade, não um fracasso social
Vulnerabilidade controlada Cautela sobre o que é partilhado, com quem e com que grau de permanência Incentiva-te a desenhar uma presença online que respeite os teus limites

FAQ:

  • Pergunta 1: Fazer “lurking” nas redes sociais significa que sou anti-social?
  • Pergunta 2: Ser um observador silencioso pode afectar a minha saúde mental?
  • Pergunta 3: Como posso começar a interagir mais sem me sentir exposto?
  • Pergunta 4: É mais saudável deixar completamente as redes sociais se nunca publico?
  • Pergunta 5: O que diz a psicologia sobre equilibrar privacidade e visibilidade online?

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