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A partir de 8 de fevereiro, as pensões aumentam, mas só para quem entregar o certificado em falta, deixando muitos excluídos.

Idoso sentado à mesa usando smartphone, com calendário, papel e envelope ao lado.

Na manhã de quinta-feira, logo depois da correria da padaria, os correios de uma pequena localidade nos arredores de Lyon estavam estranhamente cheios. Nada de encomendas de Natal, nada de filas longas para selos. Apenas uma fila de casacos cinzentos, declarações de pensão dobradas em mãos trémulas, e uma frase repetida vezes sem conta: “Disseram-me que a minha pensão ia aumentar a 8 de fevereiro… mas só se lhes enviar este certificado.”
À frente da fotocopiadora, um motorista de autocarro reformado tentava decifrar uma carta com letras minúsculas, enquanto uma mulher perto dos 80 perguntava baixinho ao funcionário o que significava “certificado de vida” e por que razão ninguém lhe tinha falado disso no ano passado.

O aumento é real.
O senão também.

A partir de 8 de fevereiro, um aumento da pensão com condições

A partir de 8 de fevereiro, muitas pensões deverão aumentar, oficialmente para acompanhar o custo de vida. No papel, parece uma lufada de ar fresco para quem conta cada euro ao fim do mês. Mas, na vida real, a história é muito mais confusa e desigual.

O ajustamento só se aplica por inteiro aos reformados com os processos “atualizados”, sobretudo àqueles que enviaram um certificado em falta solicitado pelo seu fundo de pensões. Sem certificado, sem aumento total.

Veja-se o caso do Jean, 74 anos, que achou que a carta do fundo de pensões era apenas mais um aviso genérico. Referia um “certificado de vida em falta” e um prazo iminente, numa linguagem administrativa densa. Pôs a carta de lado, a pensar tratar disso “mais tarde”.

Avançamos para 8 de fevereiro. O vizinho recebe uma transferência ligeiramente maior - mais alguns euros que, ainda assim, significam fruta fresca em vez de enlatados. A transferência do Jean? O mesmo montante do mês anterior. Só então descobre que a sua pensão ficou parcialmente congelada, pendente daquele famoso certificado. O aumento ficou em suspenso, algures numa gaveta digital.

Por trás deste cenário está uma lógica que parece fria, mas segue uma certa ordem. Os fundos de pensões querem ter a certeza de que o beneficiário ainda está vivo, ainda se encontra no país que declarou, e continua a ter direito ao pagamento. Por isso, enviam estes certificados, sobretudo a pessoas a viver no estrangeiro ou cuja situação mudou.

Mas o sistema depende muito de avisos por escrito, linguagem complexa e prazos apertados. O aumento prometido para 8 de fevereiro torna-se, na prática, “a duas velocidades”: quem viu, preencheu e enviou o certificado recebe o valor completo; quem não viu ou falhou o prazo fica para trás, por vezes sem saber porquê. A data é a mesma, mas a realidade divide-se.

Como enviar o certificado em falta e receber realmente o aumento

O gesto mais eficaz é quase desconcertantemente simples: espalhe em cima da mesa todas as cartas recentes do seu fundo de pensões e leia apenas as linhas a negrito e os prazos. Ignore o jargão por um minuto; procure apenas tudo o que diga “certificado”, “certificado de vida”, “documento em falta” ou “suspensão”.

Assim que o encontrar, o caminho fica claro. Normalmente, o certificado tem de ser preenchido, por vezes carimbado por uma câmara municipal/junta, um consulado, um médico ou um notário, e depois devolvido por correio ou carregado na sua conta online. Uma ação clara, um envelope, um carregamento. É isso que desbloqueia o aumento.

Muitos reformados confessam que deixam estas cartas acumular-se no aparador, à espera “do momento certo” para as abrir e decifrar. Todos conhecemos esse momento em que mais um envelope oficial parece um a mais.

Mas este adiamento tem um custo. Alguns perdem meses de atualização só por falta de uma assinatura ou de um carimbo. Outros pensam que o certificado tem de ser preenchido todos os anos e deixam de o fazer quando passam algum tempo sem receber nada. A regra prática é simples: sempre que o fundo envia um certificado, não é opcional.

“Sejamos honestos: ninguém lê realmente as letras pequenas todos os dias”, admite o Marc, 68 anos, que ajuda os vizinhos com formulários. “Mas quando a carta menciona uma data de suspensão ou pede um certificado, é essa que se trata primeiro. É literalmente o seu rendimento que está em jogo.”

  • Passo 1 – Junte todas as cartas dos seus fundos de pensões dos últimos 12 meses e separe as que mencionam um certificado em falta.
  • Passo 2 – Ligue para o número indicado na carta ou entre na sua conta online para confirmar se o documento continua em falta ou se é possível obter uma extensão do prazo.
  • Passo 3 – Preencha o certificado com calma, obtenha carimbo se for exigido, guarde uma cópia e envie por correio registado ou carregue online para ficar com um comprovativo rastreável.

Quando um pormenor técnico decide quem consegue respirar melhor

O aumento prometido a partir de 8 de fevereiro será uma data de que muitos se lembrarão de forma diferente. Alguns verão um pequeno mas bem-vindo acréscimo no extrato bancário - mais alguns euros que aliviam as contas do supermercado e do aquecimento. Outros olharão para o mesmo valor de sempre e sentirão aquela picada silenciosa de injustiça, sem perceberem de imediato de onde vem a diferença.

Por trás desta divisão estão decisões minúsculas, quase invisíveis: abrir um envelope, pedir ajuda na junta/câmara, ousar telefonar para o fundo de pensões, ou simplesmente ter um filho adulto por perto que consiga digitalizar e carregar um documento.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Certificado em falta = aumento bloqueado Sem o certificado de vida ou de situação solicitado, a atualização de 8 de fevereiro pode ser adiada ou reduzida Saber por que motivo a sua pensão não mudou e o que pode desbloqueá-la
Processo simples, mas com prazo Formulário a preencher, por vezes com carimbo oficial, e envio por correio ou online antes de uma data-limite Agir a tempo em vez de perder meses de pagamentos a que tem direito
Direito a pedir revisão Se o certificado for enviado tarde, alguns fundos podem pagar retroativos assim que os documentos sejam recebidos Recuperar dinheiro que pensava ter perdido e aliviar a pressão do dia a dia

FAQ:

  • Pergunta 1 O que acontece exatamente a 8 de fevereiro com as pensões?
  • Resposta 1 Essa data corresponde à aplicação de um aumento previsto para muitas pensões, ligado à inflação e aos ajustamentos anuais. O pagamento que recebe pode ser mais alto, igual, ou parcialmente bloqueado, consoante o seu processo esteja completo e se qualquer certificado solicitado tiver sido entregue.
  • Pergunta 2 A quem é pedido um certificado de vida ou de situação?
  • Resposta 2 Na maioria dos casos, a reformados a viver no estrangeiro, a pessoas cuja morada ou estado civil mudou recentemente, ou a quem o fundo precise de confirmar que continua a ter direito à pensão. Alguns fundos também enviam certificados periodicamente para atualizar os registos.
  • Pergunta 3 E se eu nunca recebi esse famoso certificado?
  • Resposta 3 Contacte o seu fundo de pensões por telefone ou através da conta online e pergunte explicitamente se falta algum documento no seu processo. Por vezes, as cartas perdem-se ou são enviadas para uma morada antiga. O fundo pode reenviar o formulário ou abrir um novo pedido para si.
  • Pergunta 4 Ainda posso receber o aumento se enviar o certificado fora de prazo?
  • Resposta 4 Sim, em muitos casos. Depois de o certificado ser recebido e validado, o fundo pode repor o valor correto e pagar retroativos pelos meses em falta. As regras variam de regime para regime, por isso confirme com eles a possibilidade de pagamentos retroativos.
  • Pergunta 5 Onde posso obter ajuda para preencher e enviar o certificado?
  • Resposta 5 Pode pedir ajuda na junta/câmara, a um assistente social, num ponto de apoio familiar ou numa associação de apoio a idosos. Muitos fundos de pensões também disponibilizam atendimentos presenciais, e alguns bancos ajudam clientes mais velhos a digitalizar e enviar documentos.

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