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A abertura do mercado de Natal desilude visitantes: “Não, obrigado!”

Casal com sacos de compras e café passeia por mercado ao ar livre, decorado para o Natal, à noite.

A primeira neve mal tinha começado a derreter nos telhados de madeira quando o primeiro “Não, obrigado” cortou a playlist de Natal. O novo mercado de Natal acabara de abrir, com fios de luzes LED a piscar contra um céu cinzento, e ainda assim as pessoas já davam meia-volta. O cheiro no ar não era de vinho quente e castanhas assadas, mas mais de óleo queimado e desilusão. Pais empurravam carrinhos de bebé por entre bancas meio vazias, crianças a perguntar “É só isto?”, enquanto os vendedores olhavam fixamente para os telemóveis. Um arco iluminado prometia “Magia para todos”. Por baixo dele, um segurança aborrecido fazia scroll no Instagram.
Uma mulher tirou uma foto aos bonecos de neve de plástico e murmurou: “Isto vai direitinho para o grupo.”
Algo parecia estranho desde o primeiro passo lá dentro.
E dava para sentir o ambiente a mudar quase instantaneamente.

Quando a magia de Natal parece um cenário barato

A noite de abertura devia ter sido um postal. Em vez disso, parecia que se estava a entrar num cenário de filmagens depois de a equipa já ter ido embora. As colunas estalavam com as mesmas canções gastas de sempre, mas não havia coro, não havia gargalhadas, não havia energia de multidão. Só grupos de visitantes a arrastarem-se devagar entre bancas “copiar-colar” a vender os mesmos enfeites importados que já tinham visto online.
A iluminação era dura e fria, mais corredor de supermercado do que país das maravilhas de inverno. As pessoas ainda tiravam fotos, claro, mas muitas faziam-no com aquele meio sorriso irónico, como quem diz: “Olhem o que nos estão a tentar vender como ‘mágico’.”
O mercado de Natal tinha todos os adereços.
O que não tinha era alma.

A desilusão via-se mais claramente nas bancas de comida. Um cartaz gritava “Menu festivo tradicional” em letras vermelhas grandes, mas por baixo havia fotos plastificadas de cachorros moles, waffles aquecidos no micro-ondas e copos de papel com algo rotulado “bebida com especiarias” que cheirava suspeitamente a sumo reaquecido. Um tipo de gorro de lã olhou para os preços, riu-se em voz alta e recuou.
“Dez euros por isto? Não, obrigado”, disse, alto o suficiente para a fila ouvir. Metade afastou-se com ele.
Um casal jovem que tinha vindo de carro de outra terra disse-me que tinha planeado jantar ali e, em silêncio, abriu uma app de entregas ali ao lado. É aí que se percebe que um mercado perdeu completamente o rumo.
As bancas não pareciam apenas genéricas. Pareciam ter sido encomendadas em massa.

Então o que aconteceu? Parte é simples: as expectativas mudaram mais depressa do que os próprios mercados. As pessoas são inundadas com fotos de mercados de Natal europeus de sonho no Instagram - Viena, Estrasburgo, Praga - e aparecem à espera de pelo menos uma fração desse encanto. Em vez disso, encontram grinaldas de plástico, colunas Bluetooth e terminais de cartão que não funcionam.
Os organizadores estão sob pressão para serem rentáveis desde o primeiro dia, por isso alugam o máximo de espaços possível e enchem-nos com casinhas padronizadas, com margens baixas e produtos “seguros”. O resultado é uma experiência copiar-colar que podia ser em qualquer lugar, de um parque de estacionamento de centro comercial a um evento corporativo.
Sejamos honestos: ninguém vai realmente a um mercado de Natal só para comprar mais uma vela.
Vão por um sentimento. E quando esse sentimento falta, as pessoas percebem logo.

Como os organizadores podem transformar um “Não, obrigado” em “Voltamos”

Os mercados que ainda funcionam, aqueles de que as pessoas falam, fazem uma coisa simples bem: começam pela atmosfera, não pela folha de receitas. Isso não significa perder dinheiro. Significa desenhar os primeiros passos dentro do mercado como uma história, não como uma folha de cálculo. Música ao vivo num canto. Uma demonstração real de artesanato noutro. Uma banca onde as crianças podem decorar uma bolacha gratuitamente, mesmo que os pais não comprem mais nada.
Um organizador com quem falei disse que a regra deles é: cada visitante deve conseguir viver pelo menos um momento memorável sem gastar um cêntimo. Um cheiro, uma canção, uma pequena interação.
Quando essa é a mentalidade, o gasto muitas vezes vem naturalmente a seguir.
As pessoas ficam mais tempo, trazem amigos e, sim, fazem fila para aquelas bebidas quentes.

A maioria dos mercados falhados partilha o mesmo ponto cego: confunde decoração com emoção. Pode pendurar mil luzinhas e ainda assim deixar as pessoas frias se nada de verdadeiro acontecer entre as bancas. Um pouco de narração ao vivo, um coro local em rotação, até um desfile do “pior camisola de Natal” com voluntários da terra pode mudar a energia toda.
Os visitantes são surpreendentemente compreensivos quando sentem esforço. São muito menos compreensivos quando sentem cinismo. Preços altos doem menos se a salsicha for mesmo grelhada à frente de si e a pessoa que a serve sorrir como quem quer estar ali.
Todos já passámos por isso: aquele momento em que se olha em volta e se percebe que fomos convidados a gastar, não a pertencer.
É normalmente aí que o “Não, obrigado” sussurrado se transforma numa saída barulhenta.

“As pessoas não vêm ao nosso mercado pelas bancas”, admitiu um organizador de uma vila pequena que entrevistei no ano passado. “Vêm pela sensação de que, por uma noite, a vila está mesmo junta.”

  • Foque-se primeiro no local: traga artesãos, padeiros e artistas reais da zona antes de preencher espaço com revendedores genéricos.
  • Crie rituais a sério: uma contagem decrescente diária, uma canção partilhada, uma pequena cerimónia que se repete e se torna “a coisa deles”.
  • Proteja cantos tranquilos: nem cada metro precisa de vender alguma coisa; alguns espaços podem ser só para sentar, ver ou aquecer.
  • Limite produtos “copiar-colar”: faça curadoria por temas para que cada fila de bancas pareça diferente em vez de repetir infinitamente o mesmo stock.
  • Ouça de forma visível: ponha um quadro de feedback no primeiro dia, mostre mudanças no terceiro dia e deixe os visitantes verem que os comentários deles contam.

Quando os visitantes deixam de fingir que tudo é “mágico”

Há uma mudança a acontecer que os organizadores não podem ignorar. As pessoas têm menos vergonha de dizer quando um evento não lhes parece valer o tempo. Vão publicar, avaliar e contar aos amigos - e quando um mercado de Natal ganha fama de “muita publicidade, pouco coração”, esse rótulo pega. Na abertura deste ano, vi grupos entrarem, fazerem uma volta rápida, trocarem um olhar e voltarem imediatamente para a rua, em direção ao café mais próximo.
Não estavam zangados. Estavam aborrecidos.
E o aborrecimento é fatal para qualquer evento que se vende com a promessa de maravilha.
A coisa estranha é que a solução não é mais tecnologia nem mais brilho. É mais humanidade.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Atmosfera acima da estética Priorizar experiências ao vivo, rituais e interação em vez de apenas luzes e decoração Ajuda os visitantes a decidir onde gastar tempo e dinheiro sem arrependimento
Local, não genérico Trazer produtores e criadores locais reais em vez de revendedores anónimos Dá um sentido de lugar e autenticidade que faz valer a visita
Ouvir cedo Recolher feedback desde o primeiro dia e adaptar rapidamente Mostra respeito pelos visitantes e melhora o mercado em tempo real

FAQ:

  • Porque é que tantos mercados de Natal parecem dececionantes agora? Porque muitos são desenhados como operações comerciais rápidas, com bancas padronizadas, preços altos e pouca atenção à atmosfera ou ao caráter local.
  • O que faz um mercado de Natal parecer verdadeiramente “mágico”? Pequenos detalhes humanos: música ao vivo, cheiros autênticos, artesanato genuíno e momentos simples em que as pessoas interagem em vez de apenas consumir.
  • Os visitantes estão a exigir demasiado dos mercados de Natal? As expectativas estão mais altas, sim, mas são sobretudo emocionais, não de luxo; as pessoas querem calor e autenticidade mais do que perfeição.
  • Os organizadores conseguem corrigir um mau arranque da época? Conseguem ajustar preços, acrescentar eventos ao vivo, convidar grupos locais e responder publicamente ao feedback, o que muitas vezes suaviza as críticas iniciais.
  • Como visitante, como posso encontrar os “bons” mercados? Procure eventos que destaquem produtores locais, tradições em pequena escala, coros comunitários e uma comunicação menos polida mas mais pessoal.

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