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4 marcas de detergente a evitar: são prejudiciais para a saúde, segundo a 60 Millions de consommateurs.

Mãos seguram roupa branca perto de detergentes coloridos e máquina de lavar numa lavandaria.

As conclusões colocam várias marcas populares sob escrutínio, levantando questões sobre o que realmente acaba na nossa roupa, na nossa pele e nos nossos cursos de água a cada dia de lavagem.

Porque é que um teste de consumidores francês está a agitar as prateleiras dos detergentes

O alerta vem da 60 Millions de consommateurs, uma respeitada revista francesa de defesa do consumidor, conhecida pelos seus testes laboratoriais independentes. Numa investigação recente, os seus especialistas analisaram cerca de trinta detergentes para a roupa vendidos em supermercados.

Não se limitaram a verificar a eficácia na remoção de nódoas. Avaliaram também a composição química, os potenciais efeitos na saúde e o impacto ambiental. Quatro produtos bem conhecidos destacaram-se pelas piores razões.

Quatro detergentes - incluindo nomes sonantes da Omo, Persil, Xtra e Ariel - receberam a classificação de segurança mais baixa possível atribuída pela revista.

Os produtos visados foram:

  • Omo Essences naturelles (rosas e lilás branco)
  • Persil au savon de Marseille
  • Xtra 3 en 1 au savon de Marseille
  • Ariel Power Alpine

Todos os quatro obtiveram um “E”, a pior nota do teste. Para uma categoria de produtos que muitas famílias usam várias vezes por semana, este veredito levantou sobrancelhas.

O que torna estes detergentes “a evitar”?

Segundo a revista, o problema não se resume a níveis de perfume ou a alguma secura da pele. Os quatro detergentes pior classificados contêm um “cocktail” de substâncias classificadas como irritantes ou alergénicas, bem como ingredientes que persistem no ambiente.

Entre as substâncias criticadas estão:

  • Tiazolinonas - uma família de conservantes associada a alergias de contacto e irritação cutânea.
  • Lauril éter sulfato de sódio (SLES) - um tensioativo comum que pode remover os óleos naturais da pele e desencadear irritação em utilizadores sensíveis.

A preocupação é a exposição repetida: estes ingredientes ficam nos tecidos e depois esfregam diretamente na pele durante horas.

Embora estas substâncias sejam permitidas pelos regulamentos europeus em quantidades controladas, a revista argumenta que o uso frequente aumenta a carga sobre a pele sensível, sobretudo em crianças, pessoas com eczema e quem tem problemas respiratórios.

Riscos para a saúde: de comichão a problemas respiratórios

A maioria de nós pensa no detergente da roupa como algo que “vai embora no enxaguamento”. Na prática, ficam resíduos agarrados às fibras. Quando veste uma T‑shirt, pijama ou se deita em lençóis lavados com um produto agressivo, a sua pele funciona como o último filtro.

O relatório destaca vários possíveis efeitos da exposição repetida a detergentes problemáticos:

  • Manchas vermelhas e comichão na pele
  • Dermatite de contacto ou agravamento de eczema
  • Olhos lacrimejantes e espirros em pessoas sensíveis
  • Desconforto respiratório, especialmente em espaços fechados como quartos

O risco é maior em bebés, cuja barreira cutânea é mais fina; em pessoas já predispostas a alergias; e em quem lava a baixas temperaturas, o que pode deixar mais detergente nos tecidos.

Quando surgem irritações, comichão ou tosses inexplicáveis, poucas pessoas pensam em questionar o detergente - apesar de estar em contacto constante com a pele e os pulmões.

Pegada ambiental: o que acontece depois do ciclo de lavagem

Depois do enxaguamento, os detergentes não desaparecem simplesmente. Entram nos sistemas de águas residuais e, em parte, em rios, lagos e águas costeiras. Os ingredientes destacados no teste francês levantam várias preocupações ambientais.

Baixa biodegradabilidade e toxicidade aquática

Alguns tensioativos e conservantes são pouco biodegradáveis. Isto significa que permanecem no ambiente durante muito tempo, podendo:

  • Perturbar o muco protetor de peixes e outros animais aquáticos
  • Reduzir os níveis de oxigénio na água quando se degradam
  • Acumular-se em sedimentos e afetar a vida vegetal

Algumas moléculas de fragrâncias também são suspeitas de serem tóxicas para organismos aquáticos. Mesmo que cada lavagem pareça insignificante, o efeito cumulativo de milhões de máquinas por dia acumula-se.

A lavagem da roupa é uma dessas rotinas invisíveis que, repetida à escala, molda o perfil químico de rios e águas costeiras.

Que alternativas tiveram melhor desempenho no teste?

A revista francesa não se limitou a criticar. Também destacou opções mais seguras que continuam a limpar de forma eficaz. Uma tendência notável do teste: detergentes em cápsulas (ou pods) obtiveram frequentemente melhores pontuações globais do que muitos líquidos tradicionais.

Entre os produtos melhor classificados, dois nomes destacaram-se nos supermercados franceses:

Produto Formato Pontuação (em 20) Principais pontos fortes assinalados
Xéor (marca própria Leclerc) Cápsulas 15/20 Poder de limpeza equilibrado, perfil de toxicidade mais baixo
Maison Verte Bioactive Líquido 14/20 Menos alergénios, melhor classificação ambiental

Estas marcas específicas podem não estar disponíveis no Reino Unido ou nos EUA, mas os critérios por trás das melhores pontuações podem orientar consumidores em qualquer lugar.

O que procurar no rótulo

Ao escolher um detergente, as conclusões dos testes de consumidores sugerem atenção a:

  • Fragrâncias ricas em alergénios: perfumes fortes e persistentes tendem a significar mais potenciais irritantes.
  • Conservantes como isotiazolinonas: frequentemente indicados como “methylisothiazolinone” (MIT) ou “methylchloroisothiazolinone” (CMIT).
  • Fosfonatos e tensioativos pouco biodegradáveis: tendem a persistir no ambiente.
  • Rótulos ecológicos (eco‑labels): selos independentes podem indicar critérios mais exigentes quanto a toxicidade e biodegradabilidade.

Uma lista de ingredientes mais curta, fórmulas sem perfume ou com perfume ligeiro e selos ecológicos independentes são bons pontos de partida para detergentes de menor risco.

Detergente caseiro: uma tendência em crescimento

Perante preocupações recorrentes com químicos “escondidos”, mais famílias em França, no Reino Unido e nos EUA estão a optar por receitas de detergente caseiro. O apelo é simples: controlo total sobre o que entra na lavagem.

Uma receita caseira básica

Uma combinação comum usada em lares franceses e destacada pela revista envolve apenas alguns ingredientes de despensa:

  • Sabão tradicional ralado ou em lascas (muitas vezes chamado “sabão de Marselha” em França)
  • Bicarbonato de sódio (ou soda de lavagem)
  • Água quente para dissolver a mistura
  • Opcional: um pouco de vinagre branco como amaciador separado

Estes ingredientes oferecem capacidade de limpeza, ação desodorizante e um efeito suavizante, sem o “cocktail” de fragrâncias sintéticas e conservantes presente em muitos líquidos comerciais.

O detergente caseiro não vai cheirar a anúncio de perfume, mas pode limpar bem enquanto reduz químicos desnecessários.

O que “hipoalergénico” e “dermatologicamente testado” significam na prática

Os termos de marketing nos frascos de detergente podem ser confusos. “Hipoalergénico” sugere menos alergénios, mas não garante a ausência total de ingredientes problemáticos. Não existe uma definição legal única e universal, pelo que as marcas podem usar o termo desde que consigam sustentar uma alegação de risco reduzido.

“Dermatologicamente testado” normalmente significa que o produto foi testado em voluntários humanos, muitas vezes quanto a irritação de curto prazo. Não significa que ninguém alguma vez tenha reagido, nem que o produto seja adequado para todas as condições de pele.

Para pessoas com pele sensível, historial de alergias ou asma, testar um novo detergente numa pequena lavagem pode ser mais informativo do que as promessas do rótulo.

Situações do dia a dia: quando as escolhas na lavandaria pesam mais

Certos cenários aumentam a importância da escolha do detergente. Alguns exemplos mostram como pequenas mudanças podem limitar problemas:

  • Pais de primeira viagem que lavam roupa de bebé várias vezes por semana podem notar manchas vermelhas nas bochechas ou no pescoço. Mudar para um detergente suave e sem perfume e acrescentar um enxaguamento extra costuma acalmar a pele.
  • Quem vive em apartamentos e seca roupa dentro de casa inala fragrâncias e resíduos de detergente libertados por têxteis húmidos. Escolher produtos com pouco perfume reduz a poluição do ar interior.
  • Pessoas com alergias sazonais podem por vezes confundir reações ao detergente com febre dos fenos. Reparar se os sintomas agravam logo após mudar de marca pode ajudar a identificar o verdadeiro gatilho.

Do ponto de vista ambiental, quem vive perto de rios ou zonas costeiras contribui indiretamente para a qualidade da água local. Em áreas com ecossistemas frágeis, mudar para detergentes com maior biodegradabilidade pode reduzir a carga química que chega a essas águas.

Com o tempo, o efeito combinado de milhões de escolhas individuais - desde evitar os detergentes pior classificados até usar misturas caseiras mais simples - pode aliviar a pressão sobre a saúde humana e a vida aquática, sem sacrificar roupa limpa.

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